Hidrocele e cisto de epidídimo   2 comments

Revisão e comentários

Lucy Kerr*, Uziel Nunes**

A hidrocele é uma causa frequente de aumento da bolsa escrotal. Existem várias variações detectáveis e faremos a seguir agora uma revisão do assunto com imagens realizadas em nosso serviço.

Definição

  • Fluido seroso congênito ou adquirido contido no interior das camadas da túnica vaginal.

Fig 1 . Imagem longitudinal de bolsa escrotal esquerda mostra líquido “anecóico” no interior da bolsa escrotal, entre as camadas da túnica vaginal, compatível com hidrocele, rechaçando o testículo posteriormente, o qual é observado como estrutura sólida oval junto à parede posterior com ecogenicidade normal                               1

Fig 2. Imagem transversal com imagem estendida da bolsa escrotal mostra que a hidrocele é bilateral e o líquido observado é, aparentemente, anecóica.                       

Fig 3 imagem longitudinal de bolsa escrotal esquerda mostra partículas no interior da hidrocele somente quando

 aumenta-se o ganho acima do que é ideal para análise dos demais tecidos de partes moles da bolsa escrotal. Observar que a  imagem do testículo e epidídimo estão ligeiramente saturadas.                                                

 

Fig 4. imagem longitudinal do estudo com Doppler colorido da bolsa escrotal mostrando que as partículas de baixa amplitude estão pintadas de azul, caracterizando que estão em  movimento. Também são observados os vasos que circundam e irrigam o testículo . Ao lado a imagem do vídeo mostra as partículas em movimento.     

Características Gerais

  • Melhor achado diagnóstico: fluido escrotal circundando o testículo, exceto na área nua onde a túnica vaginalis não cobre o testículo e é anexada ao epidídimo.
  • Localização: túnica vaginal
  • Morfologia
    • Tipos
      • Congênita: ascite presa no processo vaginal. A forma congênita da hidrocele é vista em crianças devido à persistência da comunicação entre a cavidade peritoneal através do processo vaginal patente
      • Infantil: fluido no processo funicular
      • Primária: idiopática
      • Secundária: pós processo inflamatório ou trauma

Achados Ultrassonográficos

  • Hidrocele aguda (HA): coleção de fluido anecóico em crescente circundando ântero-lateralmente os testículos. Geralmente o testículo é deslocado póstero-medialmente
  • Hidrocele crônica (HC): coleção de fluido contendo ecos de baixa amplitude móveis.

Presume-se que cristais de colesterol causem esses ecos móveis de baixa amplitude (é necessário aumentar o ganho do aparelho) e não podem ser distinguidos de debris inflamatórios. Power Doppler ou Dopper colorido podem mostrar movimento dos debris internos na hidrocele crônica (fig 4).  São frequentes o espessamento difuso da parede escrotal, a calcificação parietal e a calcificação escrotal. Já as septações são infreqüentes e mais comumente devido a trauma ou infecção secundária (fig 5)

Fig 5. Corte transversal da bolsa escrotal esquerda mostrando a septação (seta) que subdivide o terço posterior da hidrocele, geralmente sequelas de trauma ou infecção

Recomendações

  • US alta resolução (≥ 7.5MHz) é a modalidade de escolha

Diagnósticos Diferenciais

  • Piocele
  • Fluido septado com ecos de baixa amplitude internamente
  • Associado a epididimite, abscesso escrotal e sinais clínicos de inflamação
  • Hematocele
  • Fluido ecogênico complexo na túnica vaginal
  • Associado a trauma, torção ou trauma
  • Hérnia Escrotal
  • Alça intestinal ou omento ecogênico visto no interior do escroto devido a hérnia inguinal indireta

Patologia

Características Gerais: Coleção de fluido simples no interior da túnica vaginal

  • Etiologia
    • Anatomia embriológica
      • hidrocele congênita ou comunicante é devido a falha no fechamento do processo vaginal
      • hidrocele secundária ocorre em adultos devido a epididimite ou cirurgia para varicocele
  • Epidemiologia: ocorre em 10% dos tumores de testículo estão associados à hidrocele

Critério de classificação

  • Congênito: fechamento incompleto da túnica vaginal
  • Adquirido: epididimite, torção, trauma; raramente tumor

Apresentação Clínica

  • Sinais/sintomas mais comuns: massa/aumento escrotal assintomático (pouca dor)

Tratamento

  • Ressecção cirúrgica

Diagnóstico – interpretação de imagens

  • Coleção de fluido anecóico na túnica vaginal ântero-lateral ao testículo

Cistos do Epidídimo

Fig 6. Imagem longitudinal de bolsa escrotal mostra cisto simples do epidídimo (calipers), de paredes finas e regulares, conteúdo anecóico,  medindo 4×2.8mm.

Definição

  • Estruturas anecóicas no interior do epidídimo com paredes finas e regulares, ocasionalmente imperceptíveis e reforço posterior

Características gerais

  • Melhor achado diagnóstico: massa anecóica com reforço posterior com paredes finas e regulares, ocasionalmente imperceptíveis
  • Localização
    • Cisto simples do epidídimo: pode surgir ao longo de todo o epidídimo, desde a cauda até a cabeça
    • Espermatocele: situada apenas na cabeça do epidídimo
  • Tamanho
    • Cisto simples do epidídimo: ≤ 1cm
    • Espermatocele: em geral 1-2cm, podendo ser maiores e  confundidos com hidrocele
  • Morfologia
    • Cisto do epidídimo: 20-40% dos indivíduos, múltiplos em 29%
      • Cisto simples do epidídimo: revestido por epitélio, contém fluido seroso claro e parece ter origem linfática
      • Espermatocele: contém líquido leitoso espesso contendo espermatozóides, linfócitos e debris celulares
      • Degeneração cística do epidídimo: não pode ser diferenciado do cisto simples do epidídimo
      • Cistos grandes podem ter septações e serem confundidos com hidroceles

Achados Ultrassonográficos

  • Ultrassom
    • Cisto simples do epidídimo: bem definido, anecóico
      • Pode ser visto em todo o epidídimo
      • Contém fluido claro
      • A aspiração do fluido é diagnóstica do cisto simples, porém geralmente não é necessária
    • Espermatocele: bem definida, hipoecóica
      • Localizada na cabeça do epidídimo
      • Reforço acústico posterior
      • Ecos de baixa amplitude devido a fluido com proteínas e espermatozóides
      • Espermatocele geralmente desloca o testículo anteriormente

Recomendações

  • US alta resolução (≥ 7.5MHz) é a modalidade de escolha

Patologia

Características Gerais

  • Etiologia
    • Cisto simples: de trauma, cirurgia ou inflamação prévia
    • Espermatocele: geralmente resulta de vasectomia prévia
  • Epidemiologia
    • Cistos do epidídimo são vistos em 1/3 de homens assintomáticos. Aumento na incidência de cisto do epidídimo tem sido relatada em meninos que são expostos intra-útero a dietilestilbestrol

Apresentação Clínica

  • Sinais/sintomas mais comuns: massa  escrotal palpável e indolor. Cistos simples são achados incidentais como não são facilmente palpáveis, geralmente não são duros mesmo em grandes tamanhos
  • Idade
    • Cisto epidídimo: qualquer idade
    • Espermatocele: mais comum em indivíduos pós vasectomizados

Tratamento

  • Não requer tratamento
    • Cistos simples assintomáticos podem ser observados
    • Cistos simples sintomáticos devem ser tratados idealmente com excisão local poupando parênquima
  • Espermatocele pode ser tratada com escleroterapia
    • US pode ser usado para guiar o  instrumento
    • Taxa de cura é superior a 80%

Diagnóstico – interpretação de imagens

  • Anecóico, reforço posterior, sem componente sólido, com paredes finas e regulares, ocasionalmente imperceptíveis caracterizam o cisto do epidídimo
  • A Espermatocele é observada na topografia da cabeça do epidídimo, com paredes finas e regulares, e velada por ecos de baixa amplitude. Nem sempre é possível diferenciar o cisto simples do epidídimo da espermatocele.

* Diretora da Sonimage e presidente do IKERR (Instituto Kerr) e diretora executiva da FISUSAL (Federação Internacional das Sociedades de Ultrassonografia da América Latina)

**Estagiário do IKERR

Referências

    • Diagnostic Imaging Ultrasound, Anil T. Ahuja, 1 edition, 2007
    • Diagnostic ultrasound, Carol M. Rumack, Stephanie R. Wilson, J. William Charborneau, 3 edition, 2005
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Publicado 27/07/2011 por lucykerr em Ultrassonografia

2 Respostas para “Hidrocele e cisto de epidídimo

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  1. Tenho ipididimo com mais d três centimetro na cabeça d testiculo ta criando outro na parte de traz .antes da cirurgia eu tinha varicoceli. Estou medicado.sinto que esta aumentando.que fazer.

    • Ataíde:
      Você diz que está medicado e seu médico te operou. É melhor vc retornar com ele mesmo, para ver o que ele te aconselha. Ele é urologista e é a pessoa mais indicada para te auxiliar.
      Aqui somos um portal de medicina, especialmente focado em ultrassonografia, mas não podemos tratar, pois não podemos te ver ou examinar à distância e essa é a orientação do Conselho de Medicina.
      Se desejar exame detalhado do seu problema estamos disponíveis para agendamento nos telefones: 11-32873755 ou 11- 32875357.
      Atenciosamente,
      Dra. Lucy Kerr

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