Arquivo da categoria ‘Ultrassonografia

NOVA MATERIA: TUMORES BENIGNOS DAS MAMAS   Leave a comment


Esta matéria é composta por 4 aulas contendo detalhes raramente abordados dos lipomas, hamartomas, adenomas e do tumor filóide, embora importantes para diagnosticá-los. Para dar embasamento ao conhecimento e facilitar sua fixação, explica-se as bases clínicas e anatomopatológicas desses tumores benignos das mamas, sinais e sintomas clínicos e o risco de malignização associado a cada uma dessas manifestações. Os aspectos da anatomia patológica relacionados a cada uma destas patologias e pertinentes para o diagnóstico por imagem são mostrados e facilitam a compreensão das dificuldades diagnósticas na mamografia, RNM e ultrassonografia, permitindo a correlação das imagens AP com os achados de imagem. Também são abordados as chaves diagnósticas e os diagnósticos diferenciais desses tumores.

Aula 1: LIPOMA.  define-se e comenta-se os aspectos gerais dos lipomas. Rica em ilustrações, essa aula descreverá também as principais manifestações clínicas dos lipomas cutâneos e profundos, além das suas características patológicas, para entender a categoria na qual se encaixa o lipoma mamário.  Serão abordados os achados mamográficos, ultrassonográficos e de RNM dos lipomas, dando-se ênfase na avaliação ultrassonográfica dos mesmos. As  principais chaves diagnósticas são enfatizadas para auxiliar o ultrassonografista a diagnosticar esta patologia tão comum na mama. Finaliza-se com o diagnóstico diferencial, de valor inestimável para o médico na sua prática clínica.    

Aula 2: HAMARTOMA. Esta aula inicia-se com a definição e a sinonímia de hamartoma, seguida dos aspectos clínicos e anatomopatológicos desta patologia. Serão abordados, de modo descritivo e ilustrativo, os principais achados dos hamartomas na mamografia e RNM, com ênfase na ultrassonografia e no estudo Doppler. Concluindo, são demonstrados os principais diagnósticos diferencias e a conduta frente a este diagnóstico. 

Aula 3: ADENOMA. Esta aula se inicia com a definição e a classificação dos adenomas. Na sequência, serão abordados os achados clínicos e anatomopatológicos do adenoma. Os sinais e características do adenoma nos principais exames de imagem (US, RX e RNM) são mostrados e ilustrados, incluindo-se o estudo Doppler desta lesão. Para encerrar, são mencionados os diagnósticos diferenciais e a conduta frente ao adenoma.

Aula 4: TUMOR FILÓIDE. Inicialmente é dada a definição e a terminologia do tumor Filóide. A seguir abordam-se os aspectos clínicos e comportamento localmente agressivo do tumor, assim como os achados anatomopatológicos pertinentes relacionados a esta moléstia. A seguir, é feita uma análise criteriosa da utilidade da PAAF e da Biópsia percutânea c/agulha grossa nesta patologia mamária tão importante. O ponto alto é a descrição e ilustração dos sinais e imagens características do tumor filóide nos principais exames de imagem (US, RX e RNM), bem como do seu padrão no estudo Doppler e as principais características da lesão benigna e maligna. E, para finalizar, são descritos os principais diagnósticos diferenciais, em especial o fibroadenoma gigante juvenil. O propósito é dar noções claras e objetivas para auxiliar o médico na sua prática clínica.
 
Teste MATÉRIA 3:  questões.

Publicado 29/12/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

Comentário sobre nossas aulas   Leave a comment


Acabamos de receber um e-mail de uma de nossas alunas pela internet, que foi muito gratificante. A médica se identificou como ultrassonografista e disse: “Gostaria de emitir algumas considerações sobre o curso de mama: em primeiro lugar recomendo o curso para todos os ecografistas que realizam US de mama. Após ter realizado este curso me sinto mais segura para realizar meus exames e o mais importante, para mim, e que comecei a gostar do US de mama, isso é fundamental para quem vive de ultrassom ( trabalho com US 8h por dia de segunda a sábado ). Todas as aulas foram muito úteis para minha prática diária. Parabéns para a Dra Lucy pela didática e pelo conteúdo das aulas.” Agradeço seus comentários, pois nos sentimos recompensadas por todo o esforço desprendido no preparo, estudo e gravação das aulas. Acreditem, deu muito trabalho! Mas o propósito foi atingido: estamos contribuindo para formar ultrassonografistas melhores e mais competentes, com conhecimento de causa e gostando do que fazem. Graças a Deus!

Publicado 20/12/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

VOCÊ SABIA QUE A SITAGLIPTINA, MAIS CONHECIDA COMO JANUVIA, PODE CAUSAR PANCREATITE MEDICAMENTOSA?   2 comments


Paciente de 48 anos, portadora de Diabetes Mellitus tipo 2 há 14 anos e de dislipidemia, trouxe ultrassonografia (US)  de 08/04/10, realizada em outro serviço, que constatou esteatose hepática, pâncreas heterogêneo e ectasia do ducto de Wirsung (5mm). Fazia uso de JANUVIA (sitagliptina)100mg, um hipoglicemiante oral inibidor da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4), o qual foi suspenso devido suspeita de desencadear pancreatite. Atualmente em uso de Glucovance (metformina+glibenclamida) 500/5mg, Actos (pioglitazona) 15mg e Xenical (orlistate).

EXAMES LABORATORIAIS: triglicérides normais, colesterol total = 258 (↑), LDL= 128 (↑), HDL=112 (normal), glicemia de jejum=145 (↑) e hemoglobina glicosilada=8.4% (↑), TSH e T4 livre normais.

A TC de ABDOME SUPERIOR de 14.04.2010 revelou: Pâncreas com contornos normais e atenuação preservada, sem dilatação do Wirsung. Imagem nodular hipodensa e bem definida no corpo da glândula adrenal esquerda, com densidade de líquido e medindo cerca de 2.5×2.5×1.9cm. Veia renal esquerda retro-aórtica (variante anatômica).


O USG de ABDOME SUPERIOR de 08/04/10 realizado em outro serviço revelou: Fígado de dimensões normais, contornos regulares, apresentando aumento difuso da ecogenicidade de seu parênquima. Pâncreas com dilatação do ducto de Wirsung (mede 5mm de calibre) e ecotextura finamente heterogênea.

O USG de ABDOME SUPERIOR de 11/05/10, realizado neste serviço: Fígado com textura sólida e difusamente mais ecogênica que o normal. Pâncreas  com espessura máxima de 3.2cm (cabeça), 2.2cm (corpo) e 2.4cm (cauda). Os contornos são discretamente irregulares e microlobulados. A textura é sólida, difusamente hipoecogênica e discretamente heterogênea, devido à presença de alguns diminutos conglomerados de material sólido, ecogênico e denso, medindo entre 2.4 e 2.6mm, esparsos pelo parênquima pancreático e ao longo do sistema ductal. O Wirsung foi visibilizado desde a papila até a cauda, com trajeto ligeiramente tortuoso e calibre máximo de 5.6mm (normal até 2.9mm) na topografia da cabeça, diminuindo progressivamente em direção a cauda da glândula.

Impressão Diagnóstica

  • Pâncreas com dimensões discreta e difusamente aumentadas. As alterações morfológicas detectadas no parênquima pancreático mais provavelmente são decorrentes de pancreatite crônica isolada ou agudizada. Nesta eventualidade, a hipoecogenicidade difusa seria decorrente do edema tecidual e os focos hiperecogênicos seriam compatíveis com fibrose e/ou calcificações. A dilatação significante de todo o Wirsung sugere a possibilidade de estenose do mesmo na topografia da papila, que pode ser congênita ou adquirida.
  • Hepatomegalia moderada. Volume hepático global estimado em 2668cm³, o que equivale ao aumento de 81% em relação à media. A alteração textural difusa do fígado é compatível com: esteatose; depósitos de ferro (hemocromatose); acúmulo de lípides ou glícides; .outras hepatopatias difusas.

Fig 1 mostra o Wirsung na topografia da cabeça pancreática, próximo a papila, com 5.6mm de calibre

Fig 2 mostra o pâncreas em transversal e o Wirsung dilatado e discretamente tortuoso na região do corpo. Observar a textura difusamente hipoecogênica característica do edema pancreático

Fig 3 mostra o corpo do pâncreas em longitudinal com 2.2cm de espessura (aumentada), o Wirsung dilatado no centro como diminuta estrutura cística, e textura difusamente hipoecogênica característica do edema pancreático

Fig 4 mostra a transição do corpo e cauda do pâncreas (setas brancas) em longitudinal com 2.3cm de espessura (aumentada) e textura difusamente hipoecogênica, característica do edema pancreático e heterogênea devido a presença de raros focos ecogênicos compatíveis com fibrose e/ou calcificação (pancreatite crônica reagudizada).  O Wirsung dilatado é mostrado neste corte como pequena estrutura cística (seta amarela).

Fig 5 mostra o corpo do pâncreas em longitudinal com foco ecogênico de fibrose ou calcificação (2.6mm), compatível com pancreatite crônica e hipoecogenicidade difusa, que sugere reagudização atual ou recente (o pâncreas pode demorar até um ano para recuperar sua ecogenicidade normal após episódio de pancreatite aguda e define-se clinicamente se houve remissão)

Fig 6 mostra o  pâncreas em transversal com  o Wirsung dilatado no centro do corpo  e textura difusamente hipoecogênica característica do edema pancreático e heterogênea devido a presença de focos ecogênicos de fibrose ou calcificação, medindo entre 2.4 e 2.6mm

Nossos comentários:

  • O exame realizado em outro serviço relatou fígado de dimensões normais, contornos regulares, apresentando aumento difuso da ecogenicidade de seu parênquima. Entretanto, para chegar a essa conclusão, o ultrassonografista não calculou o volume hepático e foi na base do olhômetro. Quando se calcula o volume hepático, utilizando a fórmula apropriada, pode-se observar que o volume hepático era de 2668cm³, o que equivale ao aumento de 81% em relação à media (quase o dobro do normal). Ao longo dos anos tenho observado que olhômetro não funciona na ultrassonografia, a não ser em casos muito extremos de variações volumétricas, pois a escala com que se trabalha no equipamento varia muito durante o exame e entre pacientes, de acordo com o tamanho de quem está sendo examinada. Uma paciente muito magra tem o abdome estreito e de pouca profundidade (AP do fígado variando de 6 a 8cm). Por outro lado, em paciente obeso e alto, o AP do fígado pode ser  de 16 a 17cm. O longitudinal do fígado em pacientes magros tende a ser maior e abaixo do rebordo costal, mas será compensado amplamente por um transversal estreito e um AP fino. Portanto, o melhor é medir o volume hepático se desejarem mencionar o tamanho do órgão na conclusão.
  • Os dois exames constataram alteração textural difusa do fígado é compatível com várias hipóteses diagnósticas pela US convencional, desde esteatose (a mais comum e geralmente a única lembrada), até a fibrose e depósitos de ferro. Até recentemente  não havia como diferenciar uma da outra possibilidade. Desde o advento da elastografia hepática, introduzida no Brasil pelo nosso serviço (Sonimage, diagnóstico médico por ultrassom) há como diferenciar entre estas possibilidades:
    • Esteatose reduz a velocidade de propagação da onda de cisalhamento no parênquima hepático, indicando que está amolecido;
    • A fibrose aumenta a velocidade de propagação da onda de cisalhamento no parênquima hepático, indicando que está de discreta a moderadamente endurecido;
    • A infiltração dos hepatócitos por ferro aumenta muito a velocidade de propagação da onda de cisalhamento no parênquima hepático, indicando que está impregnado por material muito duro.

Fig 7 A velocidade da onda de cisalhamento no parênquima hepático é de 2.05m/s, indicando que está aumentada 86% acima do normal e endurecimento do parênquima hepático, neste caso devido impregnação por ferro. Ou seja, o aumento de ecogenicidade do parênquima não é esteatose, como quase sempre os ultrassonografistas colocam nos laudos, ignorando outras causas que acarretam hiperecogenicidade hepática.

  • O exame realizado em outro serviço relatou que o pâncreas apresentava ducto de Wirsung dilatado (mede 5mm de calibre) e ecotextura finamente heterogênea, mas não observou que ele estava de volume aumentado e de textura  difusamente hipoecogênica, que indicaria o edema tecidual.
  • A paciente relatou durante o histórico clínico que seu médico havia suspendido imediatamente a sitagliptina, embora fosse a que melhor controlasse o diabetes, depois que havia recebido o resultado do TC e Ultrassom. Nós desconhecíamos esse efeito medicamentoso e fizemos uma investigação na literatura sobre a sitagliptina, que anexamos abaixo, para informação, se pertinente:

 

FDA adverte: pancreatite aguda relacionada com a sitagliptina

28 setembro, 2009 | Kristina Rebelo

Entre outubro de 2006 e fevereiro de 2009, um total de 88 casos de pancreatite aguda foram relatados em pacientes recebendo sitagliptina, incluindo dois casos de pancreatite necrohemorrágica, necessitando de internação prolongada; quatro desses pacientes foram internados na unidade de cuidados intensivos.

Na revisão dos casos de quem desenvolveu pancreatite, o FDA concluiu que 19 (21%) dos 88 casos relatados ocorreram dentro de 30 dias após o início ou sitagliptina ou da associação sitagliptina / metformina. Quando a sitagliptina foi descontinuada, 47 (53%) dos 88 casos foram resolvidos.  O FDA observou que a diabetes, obesidade, níveis elevados de colesterol e/ou triglicérides estão associados com pancreatite, em 45 casos observados (51%).

A FDA recomenda aos médicos que monitorem os pacientes com muito cuidado para o desenvolvimento de pancreatite após o início de sitagliptina ou da associação sitagliptina/metformina.

Os clínicos devem imediatamente descontinuar o tratamento se suspeitarem de pancreatite em pacientes que receberam sitagliptina ou a associação sitagliptina / metformina, o FDA observou.

Além disso, o FDA adverte que a utilização de sitagliptina em doentes com história de pancreatite não foi estudada, os pacientes em tese “podem estar em risco para a indução de pancreatite aumentada se tratados com a droga. A decisão de se a sitagliptina ou sitagliptina em prescrever a metformina em doentes com história de pancreatite deve ser considerada com cautela, e os pacientes devem “ser cuidadosamente monitorizados tese também para o desenvolvimento da pancreatite, disse a agência.

Sinais e sintomas de pancreatite incluem náuseas, vômitos, anorexia e dor abdominal intensa e persistente que podem irradiar para as costas.

A sitagliptina é o primeiro de uma nova classe de drogas para diabetes chamada inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP-4), que foi aprovada como adjuvante à dieta e exercícios para melhorar o controle glicêmico em adultos com diabetes mellitus tipo 2.

***********************************************************************************

Sitagliptin linked to acute pancreatitis, FDA warns

September 28, 2009 | Kristina Rebelo

Between October 2006 and February 2009, a total of 88 cases of acute pancreatitis were reported in patients receiving sitagliptin, including two cases of hemorrhagic or necrotizing pancreatitis that required extensive hospitalization; four of these patients in the reports were admitted to the intensive care unit.

In its review of the patients who developed pancreatitis, the FDA found that 19 (21%) of the 88 reported cases occurred within 30 days of starting sitagliptin or sitagliptin/metformin. When sitagliptin was discontinued, 47 (53%) of the 88 cases resolved. The FDA noted that diabetes, obesity, high cholesterol, and/or high triglycerides were associated with developing pancreatitis in 45 cases (51%).

The FDA recommends that clinicians carefully monitor patients for the development of pancreatitis after initiation or dose increases of sitagliptin or sitagliptin/metformin, according to an alert sent from MedWatch, the FDA’s safety information and adverse-event reporting program.

Clinicians should immediately discontinue treatment if they suspect pancreatitis in patients who have received sitagliptin or sitagliptin/metformin, the FDA noted.

In addition, the FDA warns that the use of sitagliptin in patients with a history of pancreatitis has not been studied; these patients may be at increased risk for pancreatitis recurrence if treated with the drug. The decision of whether to prescribe sitagliptin or sitagliptin/metformin to patients with a history of pancreatitis should be considered with caution, and these patients should also be closely monitored for the development of pancreatitis, the agency said.

Signs and symptoms of pancreatitis include nausea, vomiting, anorexia, and persistent severe abdominal pain that may radiate to the back.

Sitagliptin is the first in a new class of diabetic drugs called dipeptidyl peptidase-4 (DPP-4) inhibitors. It is approved as an adjunct to diet and exercise to improve glycemic control in adults with type 2 diabetes mellitus.

Colaboração: Dra. Deborah Rozenkwit – residente

Publicado 13/12/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

Acabamos de receber uma mensagem no fórum do portal:   Leave a comment


Alguns livros dão como volume normal da tireoide 18 ml para mulheres e até 25cm³ para homens. Aqui no curso de tireóide, o valor médio normal  é considerado 11.5cm³. Por que essa diferença tão grande?
Resposta:

As dimensões da glândula tireoidiana variam de acordo com a região do globo terrestre, mas somente em áreas de bócio endêmico por deficiência de iodo esses valores que mencionou poderiam ser considerados normais (é questionável). Se você atende pacientes no estado de São Paulo ou outras localidades com suprimento normal de iodo,a acho melhor reconsiderar esses valores, pois indicam bócio103, sem nenhuma margem de dúvida. Vou reproduzir m trecho do meu livro e as respectivas referências bibliográficas (os estudos sobre volume tireoidiano são antigos, mas válidos, pois vamos convir que dados biológicos não modificam em curto espaço do tempo), para que não tiramos esses valores do nada:

Chanoine et al 346 demonstraram que, em indivíduos pré-puberes dos 8 aos 11 anos, o volume tireoideano é de 2.74 (±0.81) cm3 , com a puberdade moderadamente avançada é de 4.06 (±0.29) cm³, dos 11 aos 14 anos pré-puberes o volume é de 3.90 (±0.80) cm³; com  puberdade moderadamente avançada é de 6.11 (±2.72) cm³ e  com puberdade avançada é de 7.12 cm³ (±2.48)cm³. O volume tireoidiano na puberdade aumenta rapidamente até atingir as dimensões estáveis do adulto que é de 11.55 (±4.40) cm³, após os 16-17 anos348,346,350.

       O lobo direito é significantemente maior do que o esquerdo em ambos os sexos e em todas as idades, sendo que aos 13 anos, o lobo direito é em média 0.9cm³ maior que o esquerdo331.

O volume normal da glândula tireoidiana em adultos da Alemanha de regiões não deficientes de iodo2351, 286 é de 10.7 ± 4.6 cm3, o que é bastante similar aos dados de nossa casuística pessoal obtidos na população adulta do Brasil de zona não deficiente de iodo (11.5 ± 3.1cm3) e da Holanda em zona também com suprimento normal de iodo (10.7 ± 4.6 cm3) 351. O volume normal da tireóide em zonas deficientes de iodo tem opiniões variáveis.

Em adultos da Alemanha provenientes de zona de bócio endêmico  o volume tireoidiano foi de 18.4 ± 6.5 cm3 no sexo masculino e 14.07 ± 5 cm3 no sexo feminino43,351, com média de 21.4cm3, o que é o dobro da Suécia (10.1 cm3) em população com suprimento normal de iodo329. Entretanto, outros estudos218,220,285 têm constatado que o volume da tireóide normal em zonas de suprimento normal de iodo é similar ao de áreas com bócio endêmico: 19.6 ± 4.7 (homens) e 17.5 ± 4.2cm³ (mulheres), o que sugere que outros fatores podem influir nas oscilações do volume tireoidiano além da deficiência de iodo. Se considerarmos todos os volumes da tireóide adulta normal, tanto em zonas deficientes de iodo, como naquelas de suprimento normal, suas dimensões irão variar entre 8cm³ e 25cm³, mas o ideal é conhecer o volume esperado para a região geográfica em questão.

Bibliografia

346. Chanoine JP, Toppet V, Lagasse R, Spehl M, Delange F. Determination of thyroid volume by ultrasound from the neonatal period to late adolescense. Eur J Pediatr 150: 395-399, 1991

348- Berghout A et all: Determinants of thyroid volume by ultrasonography in healthy adults in a non- iodine deficient area. Clin Endocrinol 26:273-280, 1987

351. Gutekunst R, Smolarek H, Hasenpusch U, Stubbe p, Friedrich H J, Wood WG, Scriba Pc.

Goiter epidemiology: thyroid volume, iodine excretion, thyroglobulin and thyrotropin in Germany and Sweden. Acta Endocrinol. 112: 494-501, 1986

218. Hegedus L, Perrild H, Poulsen LR, Andersen JR, Holm B e col. The Determination of Thyroid Volume by Ultrasound and its Relationships to Body Weight, Age and Sex in Normal Subjects. J Clin Endocrinol Metab 56: 260-263, 1983

219- Hegedus L. Thyroid size determined by ultrasound. Influence of physiological factors and non-thyroid disease. Dan Med Bull 37: 249-263, 1990

220- Hegedus L, Perrild H, Poulsen LR, Andersen JR, Holm B e col. The Determination of Thyroid Volume by Ultrasound and its Relationships to Body Weight, Age and Sex in Normal Subjects. J Clin Endocrinol Metab 56: 260-263, 1983

103. Berghout A, Wiersinga WM, Smits NJ, Touber JL. The value of Thyroid Volume Measured by Ultrasonography in the Diagnosis of  Goiter. Clin Endocrinol 28: 409-414, 1988

331. Langer et al: thyroid size versus goiter-postmorten and ultrasonographic volumetry versus physical examination. Endokrinologie experimentalis 23:67-76,1989

285- Hintze G, Windeler J, Baumert J, Stein H, Kobberling J. Thyroid volume and goiter prevalence in the elderly as determined by ultrasound and their relationships to laboratory indices. Acta Endocrinol (Copenh) 124:12-18, 1991

286- Jarlov AE, Hegedus L, Gjrup T, Hansen JEM. Accuracy of the Clinical Assessment of Thyroid Size. Dan Med Bull 38: 87-89, 1991Rasmussen SN, Hjorth L

Publicado 13/12/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

SOBRE A ELASTOGRAFIA E O DIAGNÓSTICO DO CÂNCER DE PRÓSTATA…   Leave a comment


SOBRE A ELASTOGRAFIA E O DIAGNÓSTICO DO CÂNCER DE PRÓSTATA…

Recebemos um e-mail de um paciente  que  deseja saber se a elastografia auxilia ou substitui o toque retal para  próstata e o informamos que a elastografia ainda não está disponibilizada em sondas transretais, que  requer sondas mais volumosas, uma vez que associa dois métodos diagnósticos em um único equipamento, inviabilizando seu uso pela via retal (por enquanto, pois a ciência evolui muito rápido). Atualmente, o mais moderno e preciso em termos de diagnóstico de próstata é a associação de 4 métodos:

  1. a dosagem do PSA, que somente é capaz de detectar os casos menos graves desse câncer, principalmente os classificados como Grau IV de Gleason, ou seja, aqueles tumores constituído por células mais diferenciadas, capazes de produzir o PSA em grande quantidade e que tem  comportamento mais benigno (crescimento tumoral mais lento, com menos metástases e mortalidade menor);  
  2. o toque retal, que consegue detectar  o câncer de próstata nodular situado na zona periférica posterior e, com menor acuidade, quando circundado por uma zona de infiltração (geralmente o câncer de próstata é percebido na palpação como uma zona de endurecimento), mas não consegue detectar os casos de tumores difusos, que substituem  e infiltram o tecido prostático e que são os  mais graves e mais letais;
  3. a ultrassonografia transretal com sonda de alta resolução, que é capaz de  detectar todos os tumores focais nodulares simples ou circundados por uma zona de infiltração ao redor por meio de uma análise morfológica completa. Os tumores detectados dessa forma correlacionam bem com os tumores que tem comportamento mais benigno  e são capazes de secretar  PSA,  mas a ultrassonografia transretal simples não consegue detectar o tumor difuso da próstata, o mais maligno e agressivo do tumores da próstata e o principal responsável pela engorda das taxas de mortalidade por câncer de próstata.
  4. Estudo com o Power Doppler, realizado concomitantemente com o exame US transretal, que detecta o padrão de vascularização da próstata e do Tumor, que se manifesta como área focal ou difusa de irrigação sanguínea anômala por vários sinais:
    1. Pela quantidade de vasos (é  hipervascularizado);
    2. pela presença de vasos anômalos (neovascularização tumoral);
    3. pela convergência de vários  vasos para a lesão;
    4. pelo aumento da velocidade do sangue que irriga o tumor.

Este exame deve ser realizado sempre junto com o exame transretal, pois além de  “enxergar” zonas cancerosas similares aos outros métodos, ele é o único  capaz de detectar o tumor difuso e mais agressivo da próstata, sendo esta a sua  principal e mais importante característica.  Tão importante que hoje se recomenda a orientação da biopsia da próstata para as regiões hipervascularizadas identificadas pelo Power Doppler, pois é quando as biópsias tem a melhor acuidade.

Mas se você me perguntar, então devo fazer só o ultrassom transretal com Power Doppler? Eu responderia não. Em medicina sempre se demonstrou que a associação de vários métodos é o sistema que traz os melhores resultados, maior precisão. E eu diria mais ainda, sorte tem os homens, pois se fizerem todo esse roteiro direitinho, estarão protegidos de surpresas. desagradáveis. Nesse caso estão em vantagem sobre as mulheres, pois os métodos de rastreamento disponibilizados para elas não são tão eficazes. A mamografia não consegue detectar os cânceres das mamas densas (metade das mulheres tem mamas densas)  e   somente aquelas que podem fazer a Ressonância magnética ou ter exames muito detalhados de ultrassonografia das mamas podem se considerar protegidas. Geralmente o protocolo completo de ultrassonografia das mamas, recomendado pelo ACRIN- departamento de imagem do Instituto Nacional do Câncer dos EUA – não é realizado rotineiramente na maioria dos serviços do Brasil, devido ser muito demorado. Não é o caso do nosso laboratório, que é conhecido e reconhecido por se ater aos detalhes e nenhum detalhe seria mais importante do que um protocolo completo, ainda que demorado, recomendado por consenso dos maiores especialistas de ultrassonografia das mamas.

Fig 1- observe a área de hipervascularização no canto esquerdo da próstata assinalada por setas  (as áreas tubulares amarelo-alaranjado são os vasos), que correspondia ao câncer e  muito diferente do canto direito, onde a vascularização é normal (escassa).

 Espero ter respondido a sua pergunta. Estamos disponíveis para qualquer esclarecimento adicional.

Publicado 24/11/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

ACUSON-SIEMENS 2000   Leave a comment


A SONIMAGE ACRESCENTA NOVA MODALIDADE DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM AO  ADQUIRIR O NOVíSSIMO  ACUSON-SIEMENS 2000

Da  Dra. Lucy Kerr  para os médicos e pacientes da Sonimage


A Sonimage é uma da clínica pioneira em ultrassonografia de São Paulo e Brasil e que sempre se manteve a frente dos avanços tecnológicos. Para servirmos a todos melhor, adquirimos um novo equipamento, o Acuson-Siemens 2000, com uma novíssima plataforma inovadora, que adiciona avanços revolucionários em ultrassom diagnóstico, há muito aguardados. Destacamos entre eles:

  •  Transdutor de 18 MHz, que dobra a resolução dos exames de estruturas superficiais, aumentando a acuidade diagnóstica, fundamental em mama, tireóide e estruturas superficiais e permite a aquisição de imagem 3D em tecidos sólidos.
  • 4D dinâmico com a tecnologia de renderização amnioscópica. Esta nova tecnologia do exame tridimensional é descrita como fetocospia, pois o feto parece como se estivesse iluminado por uma luz dentro do útero materno e com muito menos artefatos.
  • A elastografia, a qualitativa e quantitativa virtual (a Sonimage é o primeiro serviço a adquirir esta nova metodologia na América latina)

A elastografia é uma nova modalidade de imagem que permite avaliar a elasticidade, a dureza dos tecidos (elastografia qualitativa e quantitativa), detectando a alteração da dureza tecidual provocada pela doença ou a consistência correta dos tecidos normais. Essa é a informação que a palpação usa para detectar os nódulos – de mama, da próstata, da tireóide – o endurecimento do fígado provocado por fibrose ou o amolecimento do útero gravídico, para citar alguns exemplos. Mas para que o médico detecte o problema, o órgão doente tem que ser tocável e a lesão não pode se muito pequena. Até agora não havia um método que permitisse detectar a consistência da doença.  Essa preciosa informação é proporcionada pela Elastografia, que tem alcance muito maior do que a palpação, pois onde a US examina a elastografia alcança.  E existem duas modalidades de  elastografia:

  • a  qualitativa  na qual o impulso compressivo é executado pelo examinador  manualmente, que nos fornece uma mapa das durezas teciduais (o elastograma), mas sua profundidade é limitada  e ela é mais subjetiva;
  • e a quantitativa, que é a modalidade mais avançada, na qual a força de compressão dos tecidos é realizada virtualmente pelo equipamento (elastografia virtual), sempre com o mesmo padrão, independendo do examinador, o que melhora sua precisão e pode ser utilizada em órgãos profundos, como o fígado, de grande utilidade prática. Nesta modalidade temos dois aplicativos: um oferece o mapa das densidades após estímulo dos tecidos pelo toque virtual, mais preciso e quantificável. O outro aplicativo mede a velocidade de propagação das ondas de cisalhamento, que são as ondas laterais ao impulso virtual compressivo e de alcance muito maior do que do estímulo  longitudinal inicial. O fígado, ao ser estimulado pela onda compressiva virtual da Imagem ARFI (Acoustic Radiantion Force Impulse)  emitida pelo equipamento Acuson Siemens 2000, de curta duração (262 µsec), origina as ondas de cisalhamento  laterais ao estímulo e a velocidade de deslocamento dessas ondas laterais é proporcional a dureza fígado, o que permite saber se ele está endurecido (como na cirrose, na hemocromatose  e nos tumores) ou amolecido (como na esteatose e abscessos). Quanto mais duro o fígado, mais veloz, significando mais fibrose.  Não é fantástico? Sem cortar, sem furar, sem anestesiar, só com um estímulo virtual indolor e  imperceptível se quantifica a fibrose hepática. Os estudos clínicos realizados  indicam que elastografia virtual ARFI pode evitar a biópsia hepática na fibrose hepática na cirrose ou  hepatite crônica.

A elastografia manual e virtual também auxilia muito a US na diferenciação entre nódulo Benigno vs Maligno da mama, da tireóide e do fígado. Especialmente no que diz respeito à mama, os métodos de diagnósticos por imagens existentes não são totalmente satisfatórios para a detecção precoce do câncer e falham principalmente em 2 quesitos:

  •  
    •  
      • Diagnosticam um câncer que não existe (falso positivo)
      • Deixam de detectar um câncer existente (falso negativo)

Quanto a redução dos falso-positivos em mama a elastografia tem sido muito usada para facilitar a caracterização das lesões indeterminadas classificadas como  BI-RADS 4, que é a principal responsável pelas biópsias desnecessárias. O exame é realizado da seguinte forma: a ultrassonografia mapeia a anatomia mama e localiza a lesão a ser analisada. A onda compreensiva é emitida pelo equipamento e a Elastografia mapeia a dureza da mama e do nódulo. O examinador compara a elasticidade do tecido normal e anormal. Define-se o diagnóstico de benigno ou maligno com base em vários critérios, como o formato, o tamanho, o contraste e a escala de dureza. Podemos dizer, de uma forma geral, que o mole geralmente é benigno e o duro geralmente é maligno. O câncer de mama é duro, pouco elástico e a  Elastografia,  consegue determinar a presença de algo duro crescendo na mama da mulher  e diferenciá-lo das lesões moles benignas.  A principal utilidade da elastografia da mama é a  diferenciação dos nódulos benignos e malignos,  dependendo da ultrassonografia para mostrar a anatomia da região e identificar a lesão a ser examinada, para em seguida enviar o estímulo compressivo que mostrará qual é a dureza que apresenta.

Mas a elastografia também pode detectar o tumor que não é visto por outros métodos (falso-negativos) devido apresentarem o mesmo padrão textural ou de contraste com o tecido adjacente.  Como o tecido canceroso geralmente é duro, é possível detectar a região de endurecimento, mesmo que o padrão visual do tumor seja muito parecido com o tecido normal da mama. Recentemente conseguimos detectar um nódulo canceroso que não era visível pela US, nem pela mamografia, mas que era claramente identificável pela elastografia e media apenas 4 mm de diâmetro (fig 1), um tamanho que nos dá a certeza que  a doença é curável.

FIG. 1 a elastografia ( imagem à direita), realizada concomitantemente  com a ultrassonografia,  mostra claramente o tumor, não visto pela ultrassonografia convencional ( imagem da mesma região à esquerda).

 A elastografia da tireóide também tem sido muito útil na diferenciação dos nódulos benignos e malignos, além de mostrar a dureza do parênquima cronicamente afetado por tireopatias difusas fibrosantes.

  • Módulo para realizar a US contrastada. Esta novidade do nosso equipamento é particularmente útil para cancerologistas, pois permite a delineação da microcirculação e os nódulos são estudados de acordo com a fase arterial e venosa, com muito maior clareza e definindo a benignidade e malignidade com maior acertividade. Nossa dificuldade maior atual está em adquirir o contraste, que está em vias de ser comercializado aqui no Brasil (aguardando a liberação da AVINSA).

E, em qualquer situação,  mantemos os princípios que norteiam nosso trabalho hoje e sempre:

  • Excelência do equipamento e pioneirismo em novas metodologias;
  • Protocolo rígido que garante a reprodutibilidade e confiabilidade do resultado;
  • Análise comparativa criteriosa para auxiliar na conduta.

Publicado 20/11/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO   6 comments


Estamos anexando esta matéria que alerta sobre as consequências  da radiação para nossa saúde. E para que entendam melhor porque defendemos o uso de métodos de imagem sem radiação, principalmente a ultrassonografia, como nosso principal método de diagnóstico por imagem. Não precisamos prejudicar nosso organismo enquanto detectamos nossas doenças ou realizamos check-ups.

EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO

As células quando expostas à radiação sofrem ação de fenômenos físicos, químicos e biológicos. A radiação causa ionização dos átomos, que afeta moléculas, que poderão afetar células, que podem afetar tecidos, que poderão afetar órgãos, que podem afetar a todo o corpo.

No entanto, tende-se a avaliar os efeitos da radiação em termos de efeitos sobre células, quando na verdade, a radiação interage somente com os átomos presente nas células e a isto se denomina ionização. Assim, os danos biológicos começam em conseqüência das interações ionizantes com os átomos formadores das células.

O corpo humano é constituído por cerca de 5 x 1012 células, muitas das quais altamente especializadas para o desempenho de determinadas funções. Quanto maior o grau de especialização, isto é, quanto mais diferenciada for a célula, mais lentamente ela se dividirá. Uma exceção significativa a essa lei geral é dada pelos linfócitos, que, embora só se dividam em condições excepcionais, são extremamente radiossensíveis.

Um organismo complexo exposto às radiações sofre determinados efeitos somáticos, que lhe são restritos e outros, genéticos, transmissíveis às gerações posteriores. Os fenômenos físicos que intervêm são ionização e excitação dos átomos. Estes são responsáveis pelo compartilhamento da energia da radiação entre as células.

Os fenômenos químicos sucedem aos físicos e provocam rupturas de ligações entre os átomos formando radicais livres num intervalo de tempo pequeno.

Os fenômenos biológicos da radiação são uma conseqüência dos fenômenos físicos e químicos. Alteram as funções específicas das células e são responsáveis pela diminuição da atividade da substância viva, por exemplo: perda das propriedades características dos músculos.

Estas constituem as primeiras reações do organismo à ação das radiações e surgem geralmente para doses relativamente baixas.

Além destas alterações funcionais os efeitos biológicos caracterizam-se também pelas variações morfológicas. Entende-se como variações morfológicas as alterações em certas funções essenciais ou a morte imediata da célula, isto é, dano na estrutura celular. É assim que as funções metabólicas podem ser modificadas ao ponto da célula perder sua capacidade de efetuar as sínteses necessárias à sua sobrevivência.

Nem todas as células vivas têm a mesma sensibilidade à radiação. As células que tem mais atividade são mais sensíveis do que aquelas que não são, pois a divisão celular requer que o DNA seja corretamente reproduzido para que a nova célula possa sobreviver. Assim são, por exemplo as da pele, do revestimento intestinal ou dos órgãos hematopoiéticos. Uma interação direta da radiação pode resultar na morte ou mutação de tal célula, enquanto que em outra célula o efeito pode ter menor consequência.

Assim, as células vivas podem ser classificadas segundo suas taxas de reprodução, que também indicam sua relativa sensibilidade à radiação. Isto significa que diferentes sistemas celulares têm sensibilidades diferentes.

  • Linfócitos (glóbulos brancos) e células que produzem sangue estão em constante reprodução e são as mais sensíveis.
  • Células reprodutivas e gastrointestinais não se reproduzem tão rápido, portanto, são menos sensíveis.
  • Células nervosas e musculares são as mais lentas e, portanto, as menos sensíveis.

As células têm uma incrível capacidade de reparar danos. Por isto, nem todos os efeitos da radiação são irreversíveis. Em muitos casos, as células são capazes de reparar qualquer dano e funcionarem normalmente.

Em alguns casos, no entanto, o dano é sério demais levando uma célula à morte. Em outros casos, a célula é danificada, mas ainda assim consegue se reproduzir. As células filhas terão falta de algum componente e morrerão. Finalmente, a célula pode ser afetada de tal forma que não morre e é modificada. As células modificadas se reproduzem e perpetuam a mutação, o que poderá significar o começo de um tumor maligno.

Efeitos Biológicos

A radiação nuclear não é algo que passou a existir nos últimos 150 anos. Ela faz parte de nossa vida. A luz solar é uma fonte natural radioativa. Está na areia da praia, na louça doméstica, nos alimentos, na televisão quando está ligada. Por ano, um ser humano absorve entre 110 milirem a 150 milirem de radiação de fontes diversas.

Qualquer ser humano submetido a um exame de concentração de possíveis elementos radioativos em seu corpo obterá um resultado de concentração de potássio radioativo, que foi acumulado pelo consumo de batata. (O cigarro apresenta chumbo e polônio radioativos.)

Em uma explosão nuclear ou em certos acidentes com fontes radioativas, as pessoas expostas recebem radiações em todo o corpo, mas, as doses absorvidas podem ser diferentes em cada tecido. Cada órgão reage de certa forma, apresentando tolerâncias diferenciadas em termos de exposição à radiação.

Os efeitos somáticos classificam-se em imediatos e retardados com base num limite, adotado por convenção, de 60 dias. O mais importante dos efeitos imediatos das radiações após exposição do corpo inteiro a doses relativamente elevadas é a Síndrome Aguda de Radiação (SAR). O efeito retardado de maior relevância é a cancerização radioinduzida, que só aparece vários anos após a irradiação.

O quadro clínico apresentado por um irradiado em todo o corpo depende da dose de radiação absorvida. A unidade para expressar a dose da radiação absorvida pela matéria é o Gray (Gy), definido como a quantidade de radiação absorvida, correspondente a 1 Joule por quilograma de matéria.

Doses muito elevadas, da ordem de centenas de grays, provocam a morte em poucos minutos, possivelmente em decorrência da destruição de macromoléculas e de estruturas celulares indispensáveis à manutenção de processos vitais.

Doses da ordem de 100 Gy produzem falência do sistema nervoso central, de que resultam: desorientação espaço-temporal, perda de coordenação motora, distúrbios respiratórios, convulsões, estado de coma e, finalmente, morte, que ocorre algumas horas após a exposição ou, no máximo, um ou dois dias mais tarde.

Quando a dose absorvida numa exposição de corpo inteiro é de dezenas de grays, observa-se síndrome gastrointestinal, caracterizada por náuseas, vômito, perda de apetite, diarréia intensa e apatia. Em seguida surgem desidratação, perda de peso e infecções graves. A morte ocorre poucos dias mais tarde.

Doses da ordem de alguns grays acarretam a síndrome hematopoiética, decorrente da inativação das células sanguíneas (hemácias, leucócitos e plaquetas) e, principalmente, dos tecidos responsáveis pela produção dessas células (medula).

Para doses inferiores a 10 Gy, as possibilidades de uma assistência médica eficiente são maiores.

As radiações, como diversos agentes químicos, também têm efeito teratogênico, isto é, provocam alterações significativas no desenvolvimento de mamíferos irradiados quando ainda no útero materno.

Inquestionavelmente, as radiações ionizantes são um agente mutagênico, conclusão válida para espécies animais e vegetais, com base em resultados obtidos ao longo de seis décadas de experimentação.

Na espécie humana, a detecção de tais alterações é bastante difícil. Mesmo entre os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, a maior população irradiada até hoje e também a mais intensamente estudada, a ocorrência de mutações radioinduzidas não foi satisfatoriamente demonstrada.

Sensibilidade Orgânica à Radiação

Fatores: Taxa de Reprodução, Suprimento de Oxigênio

A sensibilidade dos órgãos do corpo humano está relacionada ao tipo de células que os compõem. Por exemplo, se as células formadoras do sangue são as mais sensíveis devido a sua taxa de reprodução ser rápida, os órgãos formadores do sangue são os mais sensíveis à radiação. As células musculares e nervosas são relativamente mais resistentes à radiação e, portanto, os músculos e o cérebro são menos afetados.

A taxa de reprodução das células que formam um órgão não é o único critério para determinar a sensibilidade geral. A importância relativa do órgão para o bem estar do corpo também é importante.

Um exemplo de sistema celular muito sensível é um tumor maligno. A camada externa de células se reproduz rapidamente e também tem um bom suprimento de sangue e oxigênio. As células são mais sensíveis quando estão se reproduzindo e a presença de oxigênio aumenta a sensibilidade à radiação. Células com oxigênio insuficiente tendem a ser inativas, tais como as células localizadas no interior do tumor maligno.

Quando o tumor é exposto à radiação, a camada externa de células que estão se dividindo é destruída, fazendo com que o tumor diminua de tamanho. Se o tumor receber uma alta dose para destruí-lo completamente, o paciente também poderá morrer. Assim, é aplicado uma dose baixa no tumor a cada dia, possibilitando que o tecido são tenha chance de se recuperar de qualquer dano enquanto, gradualmente, diminui o tumor altamente sensível.

O embrião em desenvolvimento também é composto de células que se dividem muito rapidamente, com bom suprimento de sangue e rico em oxigênio. Assim como a sensibilidade de um tumor, um embrião sofre consequências com a exposição que diferem dramaticamente.

Sensibilidade à Radiação do Corpo Inteiro

A sensibilidade à radiação do corpo inteiro depende dos órgãos mais sensíveis, que por sua vez, depende das células mais sensíveis. Como já visto, os órgãos mais sensíveis são aqueles envolvidos com a formação do sangue e o sistema gastrointestinal.

Os efeitos biológicos no corpo inteiro dependerão de vários fatores, listados abaixo. Se uma pessoa já é suscetível a uma infecção e receber uma alta dose de radiação pode ser mais afetado por ela do que uma pessoa saudável.

São estes os fatores: dose total, tipo de célula, tipo de radiação, idade do indivíduo, estágio da divisão celular, parte do corpo exposto, estado geral da saúde, volume de tecido exposto e intervalo de tempo em que a dose é recebida.

Níveis de Exposição

Os efeitos biológicos da radiação são divididos em duas categorias. A primeira categoria consiste de exposição à altas doses de radiação em breve intervalos de tempo, produzindo efeitos agudos de curta duração. A segunda categoria é formada pela exposição à baixas doses de radiação num período de tempo mais extenso, produzindo efeitos crônicos ou de longa duração. As altas doses tendem a matar as células, enquanto as baixas doses tendem a danificar ou modificá-las. As altas doses podem matar muitas células, danificando tecidos e órgãos. Isto pode provocar uma resposta rápida do corpo, conhecida como Síndrome de Radiação Aguda. As baixas doses recebidas num longo período não causam um problema imediato. Os efeitos de baixas doses ocorrem no nível celular e os resultados podem ser observados depois de muitos anos passados.

Efeitos de Altas Doses

Toda exposição aguda não resulta em morte. Se um grupo de pessoas é exposto a doses de radiação, os efeitos acima podem ser observados. A informação desta tabela foi retirada da NCRP Report No. 89, “Guidance on Radiation Received in Space Activities,” 1989. Na tabela, os valores de dose são o limiar para início do efeito observado em pessoas mais sensíveis à exposição. Às vezes é difícil entender por que algumas pessoas morrem, enquanto outras sobrevivem depois de serem expostas a mesma dose de radiação. A principal razão para isto é a saúde dos indivíduos quando expostos e quais são suas capacidade individuais em combater os efeitos incidentais da exposição à radiação, bem como suas sensibilidades à infecções.

Efeitos de Altas Doses
Dose (Rad) Efeitos Observados
15–25 Mudança na contagem sanguínea do grupo
50 Mudança na contagem sanguínea de um indivíduo
100 Vômito (limiar)
150 Morte (limiar)
320–360 DL 50/30* com cuidado mínimo
480–540 DL 50/30* com cuidados médicos
1.100 DL 50/30* com cuidados médicos intensivos (transplante de medula)
*DL 50/30 é a dose letal em que 50% dos expostos àquela dose morrerão dentro de 30 dias.

Além da morte, há outros efeitos de dose de alta radiação.

  • Perda de Cabelo (epilação) é similar aos efeitos na pele e ocorre depois de doses agudas de cerca de 500 Rad.
  • Esterilidade pode ser temporária ou permanente em homens, dependendo da dose. Em mulheres, é geralmente permanente, mas para isto requer-se doses altíssimas, da ordem de 400 Rad nas células reprodutivas.
  • Cataratas (turvamento da lente do olho) surgem para um limiar de dose de 200 Rad. Os nêutrons são especialmente relacionados com as cataratas, devido ao fato do olho conter água e esta ser absorvedora de nêutrons.
Síndrome Órgãos Afetados Sensibilidade
Hematopoiética Órgãos formadores do sangue Altamente sensível
Gastrointestinal Sistema Gastrointestinal Muito sensível
Sistema Nervoso Central Cérebro e Músculos Menos sensível
  • Síndrome Aguda de Radiação Se vários tecidos importantes e órgãos são danificados, pode-se produzir uma reação aguda. Os sinais iniciais e sintomas de SAR são náusea, vômito, fadiga e perda de apetite. Abaixo de 150 Rad, estes sintomas que são diferentes daqueles produzidos por uma infecção viral podem ser a única indicação externa de exposição à radiação. Acima de 150 Rad, uma das três síndromes de radiação se manifestam dependendo do nível da dose.

Como visto, nada pode ser feito se a dose for muito alta e destruir o sistema gastrointestinal e o sistema nervoso central. Por isto, nem sempre um transplante de medula é bem sucedido.

Resposta Biológica à Doses de Radiação

<>  Nenhum efeito imediato é observado
5–50 Rad Ligeira variação na contagem do sangue
50–150 Rad Ligeira variação na contagem do sangue e sintomas de náusea, vômito, fadiga, etc.
150–1.100 Rad Severas mudanças no sangue serão notadas e os sintomas aparecem imediatamente. Aproximadamente 2 semanas depois, algumas pessoas expostas morrem. Aqueles expostos a 300-500 Rad, até a metade morrerão dentro de 30 dias sem tratamento médico intensivo. A morte ocorre devido a destruição dos órgãos formadores do sangue. Sem glóbulos brancos, as infecções aparecem. Na margem inferior desta faixa de dose, o isolamento, antibióticos e transfusões podem ajudar a medula a gerar novas células e o paciente poderá se recuperar totalmente. Na margem superior desta faixa, é necessário um transplante de medula.
1.000–2.000 Rad A probabilidade de morte aumenta para 100% dentro de 1 ou 2 semanas. Os sintomas iniciais aparecem imediatamente. Poucos dias depois, há uma piora drástica, devido à destruição do sistema gastrointestinal. Uma vez que o sistema gastrointestinal pára de funcionar, nada pode ser feito e o tratamento médico é apenas um paliativo para a dor.
> 2.000 Rad A morte é uma certeza. Em doses acima de 5.000 Rad, o sistema nervoso central (cérebro e músculos) não consegue mais controlar as funções corporais, como respiração e circulação sanguínea. A morte ocorre dentro de dias ou horas. Nada pode ser feito.

Determinação dos Efeitos Biológicos

Para qualquer agente biologicamente perigoso é muito difícil correlacionar a dose administrada com a resposta ou o dano provocado. A quantidade de dano no caso da radiação pode ser a freqüência de uma dada anormalidade na célula de um animal versus a dose recebida.

Há algumas evidências de que os efeitos genéticos da radiação constituem um fenômeno linear e uma das suposições fundamentais no estabelecimento de normas de proteção radiológica e no controle da atividade da radiação em programas de saúde pública tem sido levar em conta o efeito linear da radiação.  Portanto, é sempre suposto algum grau de dano quando a população é exposta a pequena quantidade de radiação.

Esta suposição torna a tarefa de estabelecer normas de proteção à radiação muito ingrata.

Levando-se em conta que os seres vivos apresentam certo grau de radiossensiblidade ou radioresistência, normalmente, tem-se trabalhado com uma curva de dose e resposta limiar, isto é, a partir de um determinado valor de dose haverá um efeito associado, e não mais quando a radiação se torna infimamente presente.

Modelo de Risco Linear

É de consenso geral entre especialistas que os riscos da radiação estão relacionados a um modelo linear proporcional e não a um modelo limiar, que a partir de determinado valor comecem a aparecer os efeitos.

Tais estimativas de risco são estritamente aplicáveis a uma população irradiada e não a um indivíduo. Para estimativas individuais, a Probabilidade de Causas (PC) é freqüentemente usada, levando-se em consideração não apenas a dose, mas também fatores adicionais que podem influenciar o desenvolvimento de efeitos específicos em determinado indivíduo.

A exposição à radiação não é garantia de males. Mas, devido a um modelo linear, quanto mais exposição, mais risco e não há dose de radiação tão pequena que não produza um efeito colateral.

Efeitos da Exposição à Baixas Doses de Radiação

Há três categorias gerais para os efeitos resultantes à exposição à baixas doses de radiação.

  • Efeitos Genéticos –sofrido pelos descendentes da pessoa exposta
  • Efeitos Somáticos –primariamente sofrido pelo indivíduo exposto. Sendo o câncer o resultado primário, diz-se muitas vezes Efeito Carcinogênico.
  • Efeitos In-Utero –Alguns erradamente consideram estes como uma conseqüência genética da exposição à radiação, porque o efeito é observado após o nascimento, embora tenha ocorrido na fase embrionária/fetal. No entanto, trata-se de um caso especial de efeito somático, porque o feto é exposto à radiação.

Efeitos Genéticos: mutação da células reprodutivas transmitidas aos descendentes de um indivíduo exposto

Os efeitos genéticos atingem especificamente as células sexuais masculinas e femininas, espermatozóides e óvulos. As mutações são transmitidas aos descendentes dos indivíduos expostos.

A radiação é um agente mutagênico físico. Há também agentes químicos, bem como agentes biológicos (vírus) que causam mutações.

Um fato importante a lembrar é que a radiação aumenta a taxa de mutação espontânea, mas não produz quaisquer novas mutações. Entretanto, uma possível razão para que os efeitos genéticos resultantes de exposição a baixas taxas de dose não tenham sido observados é que as células reprodutivas podem espontaneamente absorver ou eliminar estas mutações nos primeiros estágios da fertilização.

Nem todas as mutações são letais ou prejudicam o indivíduo, porém é mais prudente considerar que todas as mutações são ruins, e assim, pela norma NRC (10 CFR Part 20), a exposição à radiação deve ser a mínima absoluta ou As Low As Reasonably Achievable (ALARA). Isto é particularmente importante, pois qualquer que seja a dose sempre haverá um efeito proporcional à ela, sem haver um limiar para início dos efeitos.

Efeitos Somáticos em Indivíduos Expostos

O resultado primário é o câncer.   Os efeitos somáticos (carcinogênicos) são, de uma perspectiva ocupacional de risco, os mais significativos, principalmente para os trabalhadores da área que podem ter conseqüências na sua saúde, a saber, o câncer.  A radiação é um exemplo de agente físico carcinogênico, enquanto o cigarro é um exemplo de agente químico que causa câncer e os vírus, agentes biológicos.  Diferente dos efeitos genéticos da radiação, o câncer radioinduzido é bem documentado. Muitos estudos foram realizados que indicam a relação entre radiação e o câncer. Alguns indivíduos estudados e os cânceres induzidos:

  • câncer de pulmão–trabalhadores de minas de urânio
  • câncer dos ossos–pintores de mostrador de relógio à base de rádio
  • câncer de tiróide–pacientes em terapia
  • câncer de seio–pacientes em terapia
  • câncer de pele–radiologistas
  • leucemia–sobreviventes de explosões de bombas, exposição intra-uterina, radiologistas, pacientes em terapia

Efeitos intra-uterinos em Embriões/Fetos

Os efeitos podem ser

  • morte intrauterina
  • retardamento no crescimento
  • desenvolvimento de anormalidades
  • cânceres na infância

Os efeitos intrauterinos envolvem a produção de mal formações em embriões em desenvolvimento. A radiação é um agente físico teratogênico. Há muitos agentes químicos (como a talidomida) e muitos agentes biológicos (como os vírus que causam sarampo) que também podem produzir mal formações enquanto o bebê ainda está no estágio de desenvolvimento embriônico ou fetal.  Os efeitos da exposição intra-uterina podem ser considerados como subconjunto de uma categoria geral de efeitos somáticos. As mal formações produzidas não indicam um efeito genético, pois quem está sendo exposto é o embrião e não as células reprodutivas dos pais. Os efeitos da exposição intra-uterina dependerão do estágio de desenvolvimento fetal.

Semanas após a concepção Efeito
0-1 (pré-implantação) morte intrauterina
2-7 (organogênese) retardamento no crescimento/desenvolvimento de anormalidades/câncer
8-40 (estágio fetal) o mesmo acima com menor risco, associado com possíveis anomalias funcionais

Risco de Radiação

Há riscos associados com qualquer valor de exposição à radiação. Os riscos aproximados para as três categorias de efeitos de exposição a baixos níveis de radiação são:

Efeito Casos de Excesso para 10.000 por Rad
Genético 1 para 2
Somático (câncer) 2 para 10
In-Utero (câncer) 2 para 6
Intra-uterino (todos os efeitos) 10 para 100

Genético

Os riscos de exposição a 1 Rem de radiação aos órgãos reprodutores são de aproximadamente 50 a 1.000 vezes menor que o risco espontâneo para várias anomalias.

Somático

Para cânceres radioinduzidos, o risco estimado é pequeno se comparado a uma incidência normal de 1 a 4 chances de desenvolver qualquer tipo de câncer. No entanto, nem todos os cânceres estão associados à exposição à radiação. O risco de morte devido a um câncer radioinduzido é a metade do risco de adquirir um câncer.

Intra-uterino

Os riscos espontâneos de anormalidades fetais é de cerca de 5 a 30 vezes maior do que o risco de exposição a 1 Rem de radiação. No entanto, o risco de câncer em crianças devido à exposição intra-uterina é quase o mesmo que o risco para adultos expostos à radiação. Devido a sensibilidade intrauterina, a NRC, em 10 CFR Part 20, requer que em mulheres grávidas, a dose de radiação seja mantida abaixo ou igual a 0.5 Rem durante toda a gestação, o que é um décimo da dose anual permitida para trabalhadores ocupacionais. Este limite se aplica para a trabalhadora que declarar por escrito seu estado de gravidez, senão aplicam-se os limites convencionais.

Obs.: Unidades de Atividade e Exposição.

A atividade de uma amostra com átomos radioativos (ou fonte radioativa) é medida em:

  • 1 Bq (Becquerel) = uma desintegração por segundo
  • 1 Ci (Curie) = 3,7 x 1010 Bq
  • 1 Sievert = 100 rem
  • 1 Gray = 100 rad

Fonte: http://www.energiatomica.hpg.ig.com.br/Bio.html

Publicado 20/11/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

Pauta da 2ª entrevista da Dra. Lucy Kerr para a Radio Trianon   1 comment


  1. Porque é preciso avaliar a fibrose hepática?
    1. Fibrose prejudica função hepática
    2. Fígado é nossa fábrica do metabolismo
  • Sintetiza maioria proteínas, enzimas, coenzimas
  • Degrada medicamentos e substâncias tóxicas
  • Secreta a bilis
  1. Estimar o grau de fibrose hepática é importante para que o médico saiba como a doença irá evolir (prognóstico), acompanhamento  e  tratamento
Papel da biópsia hepática na hepatite C
Confirma o diagnóstico clínico
Avalia o grau de fibrose e inflamação
Avalia a presença de outras doenças concomitantes
Ajuda a definir a melhor opção terapêutica

 

  1. Qual é  a principal causa de fibrose  hepática?
    1. Fibrose tem várias origens: alcoólica, biliar, hemocromatose,  idiopática, mas a Hepatite C é a principal causa FIBROSE hepática. Ela é responsável por mais da metade  das  das hepatopatias crônicas (±60%) e é a principal causa transplante hepático. É uma epidemia crescente. Cerca de 3% pop. mundial é portadora  hepatite C crônica ou 170 milhões pessoas. Cerca de  1.2% dos doadores sangue no Brasil tem hepatite C
    2. O principal fator que leva à grande importância da hepatite C é a sua alta cronicidade. Apenas 15 a 30% das pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C curam espontaneamente, enquanto 70 a 85% ficam com hepatite crônica. Persistindo a viremia, a progressão do dano hepático é de um estágio de atividade ou fibrose a cada 7-10 anos. Aproximadamente 20 a 30% dos portadores de hepatite C crônica desenvolvem cirrose após 10 a 20 anos de infecção.
    3. Observe que, apesar de ser uma doença que pode levar a um grande número de cirroses e cânceres por estarmos em uma epidemia, a maioria das pessoas que adquire a hepatite C, a maioria das pessoas infectadas não apresentará complicações relacionadas a essa doença durante a sua vida ! Assim, uma das principais questões em estudo na hepatite C é como prever quem desenvolverá complicações da hepatite e quem permanecerá com doença leve ou inativa
    4. A combinação do interferon-alfa (glicoproteínas produzidas por células infectadas por vírus) com a ribavirina (análogo sintético da guanosina que tem ação direta contra vírus RNA e DNA) melhora a resposta virológica sustentada para 38-43%, com correspondente melhora na análise histológica (biópsia) e, possivelmente, nas complicações a longo prazo da hepatite
    5. Todas as medidas que auxiliem saber o  grau de fibrose do fígado ajudam orientar o tratamento antes que evolua para a cirrose. Preferencialmente sem biópsia .
  2. Quais os   exames que atualmente existem para determinar o quanto de  fibrose existe no fígado?
    1. Invasivos = Biópsia
    2. Não invasivos =
  • Ex. sangue, que é pouco preciso e não oferece todos os dados que o médico hepatologista necessita a
  •  Elastografia que permite quantificar a fibrose sem biopsiar o fígado
  1. Porque a biópsia não é ideal para avaliar a fibrose hepática?
    1. É invasiva e requer hospitalização. É  feita com uma agulha ou com um corte que retira um pedaço do fígado. Tem ã  risco de sangramentos  e alguns casos de complicações sérias.
    2.  O fragmento colhido pode não ser adequado p/ análise = Acurácia limitada, pois depende da interpretação patologista, há muita variabilidade intra e inter observadores e pode haver erros de amostragem  (não colheu no melhor lugar que permitiria o diagnostico correto), que são responsáveis por resultados incorretos
  2. Sabemos que a  FIBROSE HEPÁTICA É uma doença crônica. É  suficiente uma biópsia para tratar e acompanhar o paciente portador de fibrose hepática ao longo de vários anos?
    1. Não basta uma biópsia.
    2. O tratamento recomendado muda conforme avanço fibrose. É preciso saber como evolui a fibrose e se a doença está muita ativa, como na hepatite C, pode ser necessário administrar antiviral. Como essa medicação é cara e tem muito efeito colateral indesejável é preciso saber se ela vai realmente ser necessária para evitar a progressão da doença. Em outros casos, a fibrose evolui muito lentamente e a medicação será desnecessária para tratar a doença e o paciente só terá os efeitos indesejáveis da medicação, sem os benefícios.
    3. ã pesquisas focadas na avaliação não-invasiva da fibrose hepática
  3. Qual é o princípio de funcionamento da ELASTOGRAFIA para determinar o grau, a intensidade da fibrose hepática?
    1. Elastografia mede a Elasticidade dos tecidos e doenças. Quanto mais rígido o tecido, menos elástico. Elastografia mede o grau endurecimento do fígado.
    2. Quanto mais fibrose no fígado, mais duro.
    3. A elastografia mede o grau de dureza do fígado mensurando a velocidade de propagação da onda compressiva no tecido hepático. Essa velocidade está diretamente relacionada com a dureza do fígado. Quanto mais duro, mais fibrose
  4. Quais equipamentos de elastografia que estão hoje disponíveis para determinar o grau de fibrose hepática?
    1. Elastografia transitória (TE) = Fibroscan
    2. Elastografia com toque virtual  – ARFI (VE) = Incorporada ao Acuson-Siemens 2000
  5. Como funciona a elastografia transitória (FIBROSCAN)?
    1. O Fibroscan é equipado com uma sonda de US montada no eixo de um vibrador. Uma vibração é transmitida pelo vibrador em direção ao LD fígado através do espaço intercostal e induz uma onda vibratória que se propaga através do tecido. A propagação da vibração é seguida pela aquisição eco do pulso emitido.
    2. Velocidade de propagação da onda vibratória é proporcional à dureza do fígado
    3. Quanto mais fibrose existir no fígado, maior a velocidade. Essa proporcionalidade é conhecida é quantifica a fibrose.
  6. Como funciona  ELASTOGRAFIA com toque virtual ARFI?
    1. A Imagem ARFI  (Acuson Siemens 2000)  funciona de forma muito parecida com o fibroscan, mas muito mais sofisticada. Esse é o equipamento que acabamos de importar pela nossa clínica, a Sonimage e é o único em toda a América latina, pois  uma das nossas características mais marcantes é  a de sermos pioneiras no que diz respeito à ultrassonografia, estarmos sempre atualizados e à  frente. Temos certeza que outros locais irão adquirir esse equipamento em breve, pois é muito útil e se tronará indispensável na avaliação da fibrose hepática.
    2. Neste caso o US mostra a morfologia hepática e a partir da imagem selecionamos  a região  precisa do fígado que vai ser mensurada a velocidade.
    3.  O local do  fígado onde a velocidade será medida é graficamente mostrado na tela do equipamento, sobrepondo-se à imagem ultrassonográfica em tempo real (dinâmica) que está sendo realizada, medindo 1cm axial por 6mm de largura. A Imagem ARFI  (Acuson Siemens 2000)  é acionada .
    4.  O tecido na região selecionada é mecanicamente estimulado pelo uso de pulso acústico de curta duração = 262 µsec , que provoca  compressão tecidual localizada e  origina ondas cisalhamento  laterais ao estímulo . A velocidade de deslocamento dessas ondas laterais é proporcional a dureza fígado. Quanto mais duro o figado, mais veloz, significando mais fibrose
    5. há uma relação, uma tabela conhecida que quantifica a fibrose de acordo com a velocidade que medimos no parênquima hepático. Não é fantástico? Sem cortar, sem furar, sem anestesiar, só com um estimulo virtual indolor e  imperceptível se quantifica a fibrose hepática
  7. 10.   Qual a vantagem da tecnologia com toque virtual ARFI em relação ao Fibroscan?
    1. Não é uma, mas várias vantagens
    2. A tecnologia ARFI permite a avaliação da fibrose hepática em vários segmentos e não apenas em um único local, como é o Fibroscan,  vendo claramente a anatomia hepática e suas lesões  pela US convencional, ao mesmo tempo que mede a velocidade, o que aumenta sua precisão e permite uma avaliação global de todo o fígado e não apenas de uma região do lobo direito, como no Fibroscan.
    3. c.       Outra vantagem é ter um equipamento de imagem US excelente contraste e qualidade para analisar todo o fígado e órgãos do abdome. Se você  tiver mais do que uma doença acometendo seu fígado, além da fibrose,  o fibroscan não será capaz de detectar e pode haver câncer, nódulos associados a fibrose hepática, pois o  risco de câncer hepático está aumentado em pacientes cirróticos. Pode ainda haver doença em órgãos vizinhos como vesícula biliar, pâncreas e rins, as quais poderão ser detectadas e analisadas ao mesmo tempo que se determina o grau de fibrose hepática.  
  8. 11.   Como  tem sido avaliada pela comunidade científica o desempenho da elastografia hepática?
    1. A elastografia hepática é considerada atualmente o melhor método não invasivos disponíveis no momento para determinar grau fibrose
    2. Os resultados são tão bons que poderá substituir a biópsia hepática de acompanhamento dos pacientes já diagnosticados.
  9. 12.   Pode nos citar alguns outros exemplos da aplicação da elastografia com toque virtual ARFI para o diagnóstico de doenças do fígado?
    1. US fígado hiperecogênico = esteatose? Fibrose?  gordura ? Ferro?
    2. Daí você mede a velocidade
  •  Se a Vel.  hepática  =  0.72m/s . N= 1.13 m/s ± 0.23  = ä 36% = mole
  • Diag.  = esteatose
  • Se a Vel. Hepática = 4.39m/s =  ã 3.8x. P =  mais duro que normal . Mais duro que fibrose. Sugere impregnação por metal pesado. Diag. = hemocromatose
  1. 13.   Qual é a principal indicação da elastografia na condição de desenvolvimento que está hoje?
    1. Grande  indicação elastografia é para pacientes com hepatites e cirrose que já estão diagnosticados.
    2. Mas está sendo estudada para outras doenças, principalmente nódulos hepáticos.
  2. Como a Elastografia está sendo usada para avaliar nódulos do fígado?
    1. Determina dureza nódulos
  • Quanto mais duro mais suspeito de malignidade
  1. Determina o tamanho Nod. US e E
  • Se área N   E < US  = B
  • Se área N   E > US  = M
  1. Se houver mais do que uma doença no fígado ao mesmo tempo, a elastografia poderá ajudar a detectá-la?
    1.  A fibrose hepática prejudica tanto a função hepática que pode facilitar o surgimento do câncer do fígado e nesses casos ajuda muito a diferenciar um antigo dilema do paciente com cirrose: o nódulo existente  é só de regeneração,  que é um nódulo benigno freqüente em cirróticos ou é o câncer? A mensuração da velocidade no parênquima com cirrose vai ser diferente do nódulo canceroso, enquanto que, se for apenas uma área da doença de base, a velocidade mensurada será igual.
  2. 16.   Existem casos em que a elastografia é prejudicada por alguma condição do pacientes?
    1. Sim quando há ascite.

Publicado 10/11/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

SOBRE A FÍSICA DO ULTRASSOM E A PERFORMANCE DOS ULTRASSONOGRAFISTAS   2 comments


Acabo de receber um e-mail de uma aluna de nosso portal informando que o Livro de física que traduzi “Diagnóstico por Ultra-som – Princípios e Instrumentos” do Dr. Dr. Frederick Kremkau está esgotado e me pede uma orientação. Ela também deseja saber se o livro dele é utilizado como referência para os que pretendem se preparar para prova on-line da FISUSAL. Nossa resposta é afirmativa: ele é o livro de referência, simplesmente por ser o melhor do gênero. E nosso propósito é que aprendam a física com quem tem o conhecimento certo e saber ensinar. E eu a informei que Dr. Frederick Kremkau é físico especialista na física do ultrassom, que foi meu professor na Winston-Salem University, quando fiz minha pós graduação em US nos EUA e eu mesma traduzi o seu livro para o português, para facilitar o preparo da prova de títulos da SBUS, na época em que eu era presidente da entidade. Mas desconhecia que estava esgotado, conforme me informa a aluna. A editora é a Artes Médicas de Porto Alegre e sugeri que entrasse em contato com a Editora, para saber se ela tem algum exemplar do livro do Dr. Kremkau sobrando que poderiam fornecer.
Ao terminar, se manifestou sobre a “excelência dos cursos on line do Portal Lucy Kerr e do material de inestimável valor, não encontrados em nenhum dos livros de Ecografia existentes no mercado”. Eu agradeci seus elogios ao meu curso de Física. Comentários como esses me estimulam a prosseguir, pois é uma tarefa que requer muito trabalho e dedicação. Realmente eu sou obrigada a concordar com a colega, pois minha percepção sobre as noções da Física de ultrassom que são veiculadas nos cursos de ultrassonografia do Brasil são muito toscas e insuficientes para um especialista. E eu recomendo que não nos acomodemos com isso. Sabendo dessas deficiências eu fiz minha parte, ensinar o que aprendi com meu professor e oferecendo a informação em português, para facilitar a assimilação. Não é por que o outro colega que faz ultrassom não sabe, que estamos dispensados de adquirir esse conhecimento. Ninguém pode dizer que sabe US se desconhece a Física. Nem as imagens ultrassonográficas consegue-se interpretar corretamente sem essa base. A Física está para ultrassom assim como o ABC para os que querem aprender a ler. Temos que partir do princípio, das primeiras letras, das sílabas, juntando-as para formar as palavras, conhecendo quais as regras que regem a linguagem. Temos que saber como se formam as palavras e qual a fonética correta. Não dá para decorar todas as palavras. Caso contrário seremos analfabetos virtuais, dos quais o Brasil está cheio, mesmo com o diploma dizendo que somos alfabetizados.
O curso de Física que colocamos no nosso Portal foi particularmente trabalhoso, mas acho que ficou muito bom e recomendo a todos os ultrassonografistas e garanto que o desempenho na especialidade irá melhorar após concluí-lo. Vão finalmente saber “ler” corretamente as imagens.
Um grande abraço a todos que nos acompanham.

Lucy Kerr

Publicado 08/11/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

Pauta da entrevista da Dra. Lucy Kerr para a Radio Trianon   Leave a comment


UMA NOVA SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS E DILEMAS DO DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DO CÂNCER DE MAMA – A ELASTOGRAFIA

Pauta da entrevista da Dra. Lucy Kerr para a Radio Trianon

1- Quais são os métodos de imagem que existem atualmente em uso para diagnóstico precoce do câncer de mama?
a. Mamografia
b. Ultrassonografia
c. Ressonância Magnética
2- Os métodos de diagnóstico por imagem para diagnóstico do câncer de mama são totalmente satisfatórios e permitem a detecção precoce desse câncer em todas as mulheres?
a. NÃO. De uma forma geral podemos dizer que eles falham principalmente em 2 quesitos:
• Deixam de detectar um câncer existente (falso negativo)
• Diagnosticam um câncer que não existe (falso positivo)
3- Quais são os pontos favoráveis e as falhas mais comuns da mamografia?
a. favoráveis
• Método mais conhecido e muito divulgado para rastrear câncer de rotina
• Facilmente encontrável em laboratórios e cidades médias e grandes
• Médico acostumado com seu uso e imagem
b. desfavoráveis
• tem muitos cânceres não detectados em decorrência das falhas do método
1. o principal sinal diagnóstico é a presença de microcalcificações anormais que indicam a presença de câncer, mas apenas metade dos cânceres tem calcificações e a outra metade não, podendo não ser visto e requerendo sinais mais sutis para serem detectados
2. depende da mama ser gordurosa para conseguir detectar a maioria dos cânceres, ou seja, quando o tecido fibroglandular (o que secreta o leite), foi substituído por gordura, o que acontece naturalmente com o avançar da idade. Somente após a menopausa que a mama se torna mais adequada para a mamografia e esse é o motivo que o INH passou a recomendar (guidelines) a mamografia após os 50 anos .
3. Se as mamas forem densas pode não detectar o câncer: metade das mulheres tem mamas densas e o câncer poderá passar despercebido. Até 7 em cada 10 mulheres poderão não ter seu câncer detectado pela mamografia se a mama for muito densa e cerca de 10% doas cânceres palpáveis não são detectados nessas mulheres. É um câncer avançado e não se vê na mamografia. Mulheres com próteses, com cirurgias prévias ou que fizerem radioterapia anteriormente não se prestam para serem examinadas pela mamografia, pois as falhas do método são muitas nesses casos.
• Efeito biológico: danifica os genes das células da mama, acumula-se no parênquima mamário e a partir de uma dose de ±110mGy pode provocar o câncer. O método que deveria prevenir o câncer de mama ajuda a provocá-lo.
• Tem muito diagnóstico falso-positivo, especialmente em mulheres com menos de 40 anos, ou seja, é diagnosticado algo suspeito e na cirurgia se comprova que é benigno.
4- Quais são os aspectos positivos e negativos mais comuns da ressonância magnética?
a. Aspectos positivos:
• Bom para detecta se há anormalidade e é bom método se o câncer já está diagnosticado, pois verifica sua extensão e ajuda a definir o tratamento mais adequado
b. Aspectos negativos
• confunde muito Nódulo benigno com o maligno da mama até 33%
• Gera ã Biópsias desnecessária
• Não está disponível em muitas cidades
• ã Caro e muitos convênios restringem exame
• ã demorado
• claustrofóbico
5- Quais são os aspectos positivos e negativos da ultrassonografia no diagnóstico do câncer de mama?
a. Aspectos Positivos
• É barato, acessível e bem aceito
• Não se acumula nas células e não é cancerígeno
• Melhor que RM e mamografia para definis se as lesãos de mama são beniganas ou malignas
• Tecnologia melhorando dia a dia estamos passando por grande salto tecnológico este ano, com novos avanços sendo incorporados
• O exame se bem feito é muito bom e profissional capacitado consegue detectar praticamente todos os cânceres acima de 10mm
b. Aspectos Negativos
• há ã exames inconclusivos e que geram biópsias desnecessárias =± 23%
• Entretanto, nem todos os cânceres serão detectados devido seu aspecto ser muito parecido, quase igual com o tecido da mama ao redor (isoecogênicos) não há contraste que permita identificá-los ou se forem menores do que 5mm (metade dos casos de tumores muito pequenos não são detectados, mesmo por examinador experiente )
• O resultado confiável depende da competência e do cuidado de quem faz
• O Exame correto é demorado e muitos lugares, na pressa de examinar muita gente, acaba não realizando todo o protocolo exigido
6- Há algum método novo para diagnóstico câncer de mama?
a. Sim a ELASTOGRAFIA.
7- Para que um novo método para examinar a mama?
a. Se os métodos existentes funcionassem 100% não haveria necessidade de outro método
b. Exatamente por que os métodos imagem atualmente em uso falham na detecção do câncer de mama e na diferenciação dos nódulos benignos e malignos de mama que surgiu a necessidade de outro método, para sanar as deficiências.
c. RX US e RM juntos geram ã biópsias desnecessárias
d. Falhas estimularam as pesquisas que culminaram no desenvolvimento da Elastografia
e. Doença é como uma parede de tijolos: quantos mais tijolos conseguimos enxergar, mais nítida a visão da parede, ou seja, quanto mais dados temos da doença, mais fácil o diagnóstico correto
f. O médico investiga o paciente um como um detetive, um trabalho de Sherlock Holmes, quanto mais pistas e dados, mais correto o diagnóstico da doença. Por isso o melhor é usar todos os recursos disponíveis
8- Qual é o princípio no qual se baseia a elastografia?
a. A maioria das doenças altera a dureza e a detecção dessa alteração é a base do exame físico â a palpação. Quanto mais rígido o tecido, menos elástico.
b. A palpação busca a informação da alteração da dureza tecidual provocada pela doença ao mesmo tempo em que se certifica que os tecidos normais têm a consistência correta que deveriam ter, um indício importante de que são saudáveis. Na cirurgia e na patologia, o médico procura o local doente pela palpação. A ciência médica, desde o tempo dos egípcios, já se descrevia as doenças pela alteração da dureza que provocava nos tecidos. Com a palpação o médico detecta essa alteração, mas é limitado pela profundidade em que se encontra a lesão e por seu tamanho. Para que o médico detecte o problema , o órgão doente tem que ser tocável.
c. Portanto, a alteração da dureza é um dado importantíssimo, mas que até agora não havia um método que permitisse detectar a elasticidade dos tecidos e doenças
d. A elastografia é uma nova técnica de diagnóstico por imagem capaz detectar a alteração da dureza e elasticidade dos órgãos e tecidos provocadas pelas doenças
e. A Elastografia tem alcance muito maior do que a palpação: onde o US examina a elastografia alcança.
9- Como a elastografia consegue detectar o câncer de mama?
O câncer de mama é duro, pouco elástico. A Elastografia mede a elasticidade, a dureza ou compressibilidade dos tecidos e tumor e, portanto, consegue determinar a presença de algo duro crescendo na mama da mulher.
10- Quais aos as Técnicas hoje disponíveis de elastografia de mama?
a. Elastografia com toque manual, na qual a compressão mama é manual, exercida pelo examinador e não é quantificável, sendo limitada pela profundidade e tamanho da lesão
b. Elastografia com impulso virtual = ARFI (Acoustic Radiantion Force Impulse), na qual a compressão da mama é exercida pelo aparelho, é quantificável. Essa é a forma mais avançada da elastografia, a elastografia por impulso virtual ARFI, cujo primeiro e único aparelho da America latina foi importado por nosso laboratório, a Sonimage, diagnóstico médico por ultrassom. Diferentemente da manual a tecnologia ARFI é quantificável. Ela duplica as propriedades físicas utilizadas pelo método
• Reflexão (US) = visualiza a anatomia (já existe e é utilizado nos parelhos de ultrassom convencionais)
• Doppler (US) = detecta o padrão de vascularização dos tecidos, tumores e doenças (já existe e é utilizado em equipamentos de ultrassom com Doppler colorido)
• Elasticidade = faz um mapa das densidades denominado elastograma, determina precisamente a dureza dos órgãos tecidos e doenças e é uma nova propriedade física que foi incorporada pela elastografia, tanto a manual, quanto a virtual
• Velocidade de propagação da onda cisalhamento =é uma onda lateral que se propaga a partir da onda compressiva emitida pelo equipamento. Ela é proporcional a dureza do tecido, órgão ou doença: quanto mais duro, maior é a velocidade. No caso do tumor de mama é particularmente útil, pois nos oferece um dado quantitativo exato da dureza do tecido e ainda o compara com os tecidos normais da mama, dando maior segurança do diagnóstico.
11- Como funciona a elastografia?
a. US mapeia a anatomia mama, localiza a lesão a ser analisada.
b. Onda compreensiva deforma tecido e o nódulo
c. A Elastografia mapeia a dureza mama e do nódulo e analisando a elasticidade do tecido normal e anorma
d. Define o diagnóstico com base em vários critérios para diagnosticar se é benigno ou maligno, tais como, formato, tamanho, contraste e escala de dureza e podemos dizer, que de uma forma geral que o mole geralmente é benigno e o duro geralmente é maligno.
12- Qual a vantagem da elastografia sobre os demais métodos de imagem?
a. Os métodos estão baseados em contraste do normal e anormal, no tipo de composição do nódulo, mas não conseguem estimar a dureza da lesão que é importantíssima. Muitas patologias que têm um mesmo aspecto podem ter dureza diferente, como a necrose da gordura e o câncer de mama, um muito mole e outro muito duro, mas ambos causando uma mesma alteração de contraste no exame de imagem. Se determinarmos a dureza daquela alteração saberemos se é gordura ou tumor.
13- Qual é a principal utilidade da elastografia em mama?
É a diferenciação dos nódulos benignos e malignos de mama. Como dissemos, há muitas imagens que se parecem em ultrassonografia, mamografia e ressonância magnética, que podem ser malignas ou benignas, gerando biópsias desnecessárias para esclarecimento do diagnóstico correto. Mas com a elastografia é possível avaliar a dureza, o que exclui muitas hipóteses diagnósticas. É o caso de processo inflamatório, da inflamação da mama, que pode parecer maligna, mas é mole, enquanto que o câncer é duro
14- Existem casos nos quais a elastografia por si só foi capaz de detecta o tumor que não era visto por outros métodos?
a. A elastografia depende da ultrassom para mostrar a anatomia da região que vai examinar e somente após se envia o estímulo compressivo que vai verifica verificar qual é a dureza que apresentam.
b. Mas a elastografia também é capaz de detectar nódulos que não são vistos em outros métodos, devido apresentarem o mesmo padrão textural ou de contraste com o tecido adjacente. Como o tecido canceroso geralmente é duro, é possível detectar a região de endurecimento, mesmo que o padrão visual do tumor seja muito parecido com o tecido normal da mama. Recentemente conseguimos detectar um nódulo canceroso que não eram visível pelo US, nem pela mamografia, mas que era claramente identificável pela elastografia e media apenas 4 mm de diâmetro, um tamanho que nos dá a certeza que a doença é curável.
15- Há novidades esperadas na elastografia?
a. Este ano já fomos presenteados com a elastografia virtual e com a elastografia quantitativa, na qual o próprio equipamento emite a onda compressiva e permitiu o surgimento da elastografia quantitativa, que é muito mais precisa na determinação da dureza tecidual. E outros avanços estão sendo aguardados em breve.

Publicado 01/11/2010 por lucykerr em Ultrassonografia

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 443 outros seguidores