RESPONDENDO DÚVIDAS DO CURSO DE MAMA À DISTÂNCIA

RESPONDENDO DÚVIDAS DO CURSO DE MAMA À DISTÂNCIA

Acabo de receber um e-mail de uma de nossas alunas do curso de ensino à distância, no qual tece elogios ao nosso curso, o que agradeço de coração e faz três perguntas, que vou responder à medida que transcrevo seu e-mail:

Cara Dra. prof. Lucy Kerr, gostaria de expressar minha satisfação em assistir as aulas do curso de mama ( falta apenas o módulo de elastografia) e dizer que as aulas além de muito esclarecedoras  quanto ao conteúdo e didática, em alguns pontos vieram de encontro aquilo que sempre achei e procurava ouvir de alguém com tanta experiência e gabarito (exemplos: abuso de mamografias, principalmente em pacientes jovens com mamas densas e a metodologia do exame de mama, a qual eu concordo totalmente, pois sempre achei falhos aqueles exames muito rápidos e sem Doppler). Por tudo isso quero parabenizá-la mais uma vez e deixar registrado aqui a grande utilidade dos seus cursos on line que facilita para todos que querem se aperfeiçoar e muitas vezes não podem se afastar dos seus compromissos. Aproveito o momento para esclarecer algumas dúvidas, se por gentileza puder me responder:”

  • P- Quanto às áreas de alteração arquitetural e de textura (AA), como você descreveria estas áreas no seu aspecto ecográfico?

R–  Eu descrevo uma a uma alterações que detecto quando examinho as mamas, que denomino alterações morfotexturais focais das mamas. E numero cada uma delas. Quando chega a vez de descrever a AA e digo….” foi identificada às….horas da mama ….., uma área de limites irregulares e mal definidos,  de textura difusamente hipoecogênica e discretamente heterogênea, a qual não é compressível com a sonda e na qual a arquitetura teciduais está desorganizada (dista………cm do mamilo e mede………..cm nos maiores eixos).”

  • P- Qual as principais diferenças, de modo prático, entre AA e as áreas de alteração fibrocísticas?

R – Em primeiro lugar é preciso que se entenda que as alterações fibrocísticas (AFC) podem ter, como uma das suas manifestações, a área de alteração de arquitetura e textura que denominamos de AA e geralmente indica que manifestações de maior risco estão presentes, como adenose esclerosante e hiperplasia ductal. Entretanto, essa não é sua manifestação mais freqüente. Geralmente as AFC se manifestam como extensas áreas ecogênicas nas mamas, nas quais o tecido fibroglandular apresenta-se compactado ao longo dos lobos mamários (ou seja, com escassa quantidade de tecido adiposo permeando-o) e mais denso do que o usual (menos compressível). Também aumenta a proporção do tecido FG em detrimento do tecido adiposo das mamas, mas essa regra não é absoluta, especialmente em mamas grandes (eu prefiro avaliar como o lobo se apresenta e não me fiar na gordura que está fora do lobo). Para mais detalhes sobre as manifestações da AFC sugiro que veja a matéria ALTERAÇÕES FIBROCÍSTICAS DAS MAMAS, do curso de PATOLOGIAS BENIGNAS DAS MAMAS que já está em nosso site. Vou deixar anexado abaixo o resumo do conteúdo dessa matéria, para que vc entenda ser esse assunto muito extenso e complexo para ser abordado superficialmente.

Na verdade, as alterações que denominamos AA podem ter várias etiologias para o mesmo aspecto, pois estamos falando de uma manifestação única que tem várias causas e entre elas pode estar o câncer, principalmente o multifocal e o CA ductal in situ, a hiperplasia ductal atípica, mas pode também ser fibrose, adenose esclerosante, cicatriz radial e a  coalescência de vários pequenos fibroadenomas. Como a manifestação usual da AFC (hiperecogênica) é sempre benigna (ou quase sempre) ela não causa maiores preocupações. Somente quando ela se manifesta como área hipecogênica é que parece uma substituição adiposa. Se for  dura é o que denominamos de AA e preocupa quanto a possibilidade de conter foco maligno.  Pode não dar para diferenciar AA de AFC comum (vide comentário ao final sobre elastografia, pois já tive sucesso no diagnóstico diferencial e dentro em breve mostrarei um caso em nosso Blog).

  • P. Qual seria a conduta nestas áreas de AA quanto ao controle ecográfico?

R. Quando identifico uma AA  minha conduta é realizar o estudo Doppler. Caso seja hipovascularizada apenas acompanhamos semestralmente e por muito tempo, pois o câncer de mama, cuja primeira manifestação pode ser a AA, demora  de 5 a 15 anos para se manifestar clinicamente. Caso a região se mostre hipervascularizada e com VSM aumentada (> 15cm/s)  eu direciono a PAAF para a região de maior vascularização. E daí em diante a conduta é sempre do médico da especialidade clinica ou cirúrgica que solicitou o exame, pois eu sou apenas especializada em diagnóstico. Mais frequentes eu tenho observado as seguintes condutas (baseadas no resultado da análise citopatológica):

  • Citologia  benigna: controles semestrais
  • Citologia  maligna: cirurgia
  • Citologia dúbia: é um problema a ser resolvido caso a caso.

Até então, minha resposta finalizaria aí, mas atualmente eu mudei (viva a tecnologia!). Por que recebi um Elastógrafo da Siemens há 20 dias e já tive um caso FN do US que foi detectado somente pela elastografia, embora ela  seja mais  conhecida por sua capacidade  de reduzir os  FP. Desde então, em todos os casos em que identifico uma AA, faço também a análise elastográfica e recentemente tive a oportunidade de identificar uma dessas áreas como substituição gordurosa mesclada com fibrose (causa do seu endurecimento). A velocidade de propagação da onda de cisalhamento nessa área era igual ao restante do tecido mamário normal e deu a certeza  que era um FP (veja o vídeo gratuito explicativo que está no nosso site, pois parece complicado, mas não é). A elastografia está se mostrando melhor do que eu conhecia pelo meu curso do ano passado nos EUA (mas o  modelo de elastógrafo que recebi  é  mais avançado, pois usa a tecnologia ARFI, na qual o impulso é virtual e mais preciso).

CURSO: PATOLOGIA BENIGNA DA MAMA

MATÉRIA: ALTERAÇÕES FIBROCÍSTICAS DAS MAMAS

Esta matéria é composta por 5 aulas detalhadas: alterações fibrocísticas típicas, alterações fibrocísticas atípicas, adenose, fibrose e hiperplasia ductal típica e atípica, as quais explicam de modo preciso as bases clínicas e anátomo-patológicas das alterações fibrocísticas das mamas (AFC). Serão descritos os principais sinais e sintomas clínicos das AFC e o risco de malignidade associado a cada uma dessas manifestações. Haverá ampla descrição dos aspectos clínicos, patologia e achados dos exames de imagem relacionados a cada uma das principais manifestações da AFC (mamografia, RNM e ultrassonografia), incluindo a correlação das imagens AP com os achados US. Também serão abordados temas como chaves diagnósticas e diagnóstico diferencial das AFC. Aproveite!!!

Aula 1: AFC típicas.

Inicialmente será abordada a definição e classificação das diferentes patologias que compõem as AFC. Essa aula descreverá também a fisiopatologia da AFC, dimensionando o risco relacionado com cada variante patológica da AFC. Uma das partes mais importantes desta aula é a descrição e ilustração clara e objetiva dos sinais das AFC típicas encontrados nos principais métodos de diagnóstico por imagem (US, RX e RNM).

Aula 2: AFC atípicas.

Esta aula inicia-se com uma abordagem geral sobre os sinais clínicos mais comuns das AFC atípicas. Serão abordados, de modo descritivo e ilustrativo, os principais achados das AFC atípicas na mamografia e RNM, com ênfase na ultrassonografia. Dessa forma, descrevem-se em detalhes os sinais ultrassonográficos das AFC atípicas de conteúdo cístico e sólido (pseudonodulares, proliferativas intra ou paredes ductais), que são as mais problemáticas do diagnóstico diferencial.

Aula 3: Adenose.

Esta aula se inicia com a definição, etiologia e principais sinais clínicos da adenose. São abordados a seguir os aspectos patológicos pertinentes relacionados a esta patologia, assim como a descrição e ilustração das imagens características da adenose nos principais exames de imagem (US, RX e RNM). Para auxiliar o ultrassonografista desta patologia comum da mama ensinam-se as principais chaves diagnósticas. Finaliza-se com o diagnóstico diferencial, de valor inestimável para o médico na sua prática clínica.

Aula 4: Fibrose.

Esta aula se inicia com a definição, etiologia e principais sinais clínicos da fibrose. A seguir abordam-se os aspectos patológicos pertinentes relacionados a esta patologia, assim como a descrição e ilustração das imagens características da adenose nos principais exames de imagem (US, RX e RNM). Para auxiliar na detecção desta patologia comum da mama são descritas as principais chaves diagnósticas e o diagnóstico diferencial, entrando em detalhes na patologia designada como cicatriz radial, por ser frequentemente confundida com a fibrose e, diferentemente dela, ter um risco de malignidade relativamente elevado associado. O propósito é dar noções claras e objetivas para auxiliar o médico na sua prática clínica.

Aula 5: Hiperplasia ductal atípica (HDA) e Hiperplasia lobular atípica (HLA).

Esta aula se inicia com a definição e conceituação da HDA e HLA. A seguir abordam-se os aspectos clínicos, epidemiológicos e prognósticos das duas patologias e sua associação com outras doenças, assim como os achados patológicos mais comuns, com ênfase nas dificuldades que a patologia encontra para diferenciar HDA e HLA do carcinoma ductal in situ de baixo grau (CDIS). São descritas e ilustradas as imagens características da HDA e HLA nos principais exames de imagem (US, RX e RNM), dando ênfase para o exame ultrassonográfico e a dificuldade de diferenciá-la do CDIS de baixo grau. Há também uma importante explicação sobre os principais problemas que o médico deve saber sobre o diagnóstico da HDA e HLA através da biópsia. Para auxiliar na detecção destas patologias comuns da mama são descritas as principais chaves diagnósticas e o diagnóstico diferencial.

Um comentário sobre “RESPONDENDO DÚVIDAS DO CURSO DE MAMA À DISTÂNCIA

  1. Olá Dra. Kerr,

    Desculpe-me ressuscitar o tópico mas eu ainda fiquei com uma dúvida. Comprei o seu curso pelo TVMed e estou adorando.
    Nestes casos de alterações texturais focais em que os achados ao modo B são sugestivos ou compatíveis com malignidade, porém não corroboradas pelo estudo doppler, e levando-se em conta que a classificação Bi-rads é baseada predominantemente no modo B mas que no caso da ultrassonografia abre espaço para a avaliação doppler, qual sua classificação Bi-rads nestes casos? A sra. costuma utilizar os subtipos do Birads 4 (a,b,c)?

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