Pauta da entrevista da Dra. Lucy Kerr para a Radio Trianon

UMA NOVA SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS E DILEMAS DO DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DO CÂNCER DE MAMA – A ELASTOGRAFIA

Pauta da entrevista da Dra. Lucy Kerr para a Radio Trianon

1- Quais são os métodos de imagem que existem atualmente em uso para diagnóstico precoce do câncer de mama?
a. Mamografia
b. Ultrassonografia
c. Ressonância Magnética
2- Os métodos de diagnóstico por imagem para diagnóstico do câncer de mama são totalmente satisfatórios e permitem a detecção precoce desse câncer em todas as mulheres?
a. NÃO. De uma forma geral podemos dizer que eles falham principalmente em 2 quesitos:
• Deixam de detectar um câncer existente (falso negativo)
• Diagnosticam um câncer que não existe (falso positivo)
3- Quais são os pontos favoráveis e as falhas mais comuns da mamografia?
a. favoráveis
• Método mais conhecido e muito divulgado para rastrear câncer de rotina
• Facilmente encontrável em laboratórios e cidades médias e grandes
• Médico acostumado com seu uso e imagem
b. desfavoráveis
• tem muitos cânceres não detectados em decorrência das falhas do método
1. o principal sinal diagnóstico é a presença de microcalcificações anormais que indicam a presença de câncer, mas apenas metade dos cânceres tem calcificações e a outra metade não, podendo não ser visto e requerendo sinais mais sutis para serem detectados
2. depende da mama ser gordurosa para conseguir detectar a maioria dos cânceres, ou seja, quando o tecido fibroglandular (o que secreta o leite), foi substituído por gordura, o que acontece naturalmente com o avançar da idade. Somente após a menopausa que a mama se torna mais adequada para a mamografia e esse é o motivo que o INH passou a recomendar (guidelines) a mamografia após os 50 anos .
3. Se as mamas forem densas pode não detectar o câncer: metade das mulheres tem mamas densas e o câncer poderá passar despercebido. Até 7 em cada 10 mulheres poderão não ter seu câncer detectado pela mamografia se a mama for muito densa e cerca de 10% doas cânceres palpáveis não são detectados nessas mulheres. É um câncer avançado e não se vê na mamografia. Mulheres com próteses, com cirurgias prévias ou que fizerem radioterapia anteriormente não se prestam para serem examinadas pela mamografia, pois as falhas do método são muitas nesses casos.
• Efeito biológico: danifica os genes das células da mama, acumula-se no parênquima mamário e a partir de uma dose de ±110mGy pode provocar o câncer. O método que deveria prevenir o câncer de mama ajuda a provocá-lo.
• Tem muito diagnóstico falso-positivo, especialmente em mulheres com menos de 40 anos, ou seja, é diagnosticado algo suspeito e na cirurgia se comprova que é benigno.
4- Quais são os aspectos positivos e negativos mais comuns da ressonância magnética?
a. Aspectos positivos:
• Bom para detecta se há anormalidade e é bom método se o câncer já está diagnosticado, pois verifica sua extensão e ajuda a definir o tratamento mais adequado
b. Aspectos negativos
• confunde muito Nódulo benigno com o maligno da mama até 33%
• Gera ã Biópsias desnecessária
• Não está disponível em muitas cidades
• ã Caro e muitos convênios restringem exame
• ã demorado
• claustrofóbico
5- Quais são os aspectos positivos e negativos da ultrassonografia no diagnóstico do câncer de mama?
a. Aspectos Positivos
• É barato, acessível e bem aceito
• Não se acumula nas células e não é cancerígeno
• Melhor que RM e mamografia para definis se as lesãos de mama são beniganas ou malignas
• Tecnologia melhorando dia a dia estamos passando por grande salto tecnológico este ano, com novos avanços sendo incorporados
• O exame se bem feito é muito bom e profissional capacitado consegue detectar praticamente todos os cânceres acima de 10mm
b. Aspectos Negativos
• há ã exames inconclusivos e que geram biópsias desnecessárias =± 23%
• Entretanto, nem todos os cânceres serão detectados devido seu aspecto ser muito parecido, quase igual com o tecido da mama ao redor (isoecogênicos) não há contraste que permita identificá-los ou se forem menores do que 5mm (metade dos casos de tumores muito pequenos não são detectados, mesmo por examinador experiente )
• O resultado confiável depende da competência e do cuidado de quem faz
• O Exame correto é demorado e muitos lugares, na pressa de examinar muita gente, acaba não realizando todo o protocolo exigido
6- Há algum método novo para diagnóstico câncer de mama?
a. Sim a ELASTOGRAFIA.
7- Para que um novo método para examinar a mama?
a. Se os métodos existentes funcionassem 100% não haveria necessidade de outro método
b. Exatamente por que os métodos imagem atualmente em uso falham na detecção do câncer de mama e na diferenciação dos nódulos benignos e malignos de mama que surgiu a necessidade de outro método, para sanar as deficiências.
c. RX US e RM juntos geram ã biópsias desnecessárias
d. Falhas estimularam as pesquisas que culminaram no desenvolvimento da Elastografia
e. Doença é como uma parede de tijolos: quantos mais tijolos conseguimos enxergar, mais nítida a visão da parede, ou seja, quanto mais dados temos da doença, mais fácil o diagnóstico correto
f. O médico investiga o paciente um como um detetive, um trabalho de Sherlock Holmes, quanto mais pistas e dados, mais correto o diagnóstico da doença. Por isso o melhor é usar todos os recursos disponíveis
8- Qual é o princípio no qual se baseia a elastografia?
a. A maioria das doenças altera a dureza e a detecção dessa alteração é a base do exame físico â a palpação. Quanto mais rígido o tecido, menos elástico.
b. A palpação busca a informação da alteração da dureza tecidual provocada pela doença ao mesmo tempo em que se certifica que os tecidos normais têm a consistência correta que deveriam ter, um indício importante de que são saudáveis. Na cirurgia e na patologia, o médico procura o local doente pela palpação. A ciência médica, desde o tempo dos egípcios, já se descrevia as doenças pela alteração da dureza que provocava nos tecidos. Com a palpação o médico detecta essa alteração, mas é limitado pela profundidade em que se encontra a lesão e por seu tamanho. Para que o médico detecte o problema , o órgão doente tem que ser tocável.
c. Portanto, a alteração da dureza é um dado importantíssimo, mas que até agora não havia um método que permitisse detectar a elasticidade dos tecidos e doenças
d. A elastografia é uma nova técnica de diagnóstico por imagem capaz detectar a alteração da dureza e elasticidade dos órgãos e tecidos provocadas pelas doenças
e. A Elastografia tem alcance muito maior do que a palpação: onde o US examina a elastografia alcança.
9- Como a elastografia consegue detectar o câncer de mama?
O câncer de mama é duro, pouco elástico. A Elastografia mede a elasticidade, a dureza ou compressibilidade dos tecidos e tumor e, portanto, consegue determinar a presença de algo duro crescendo na mama da mulher.
10- Quais aos as Técnicas hoje disponíveis de elastografia de mama?
a. Elastografia com toque manual, na qual a compressão mama é manual, exercida pelo examinador e não é quantificável, sendo limitada pela profundidade e tamanho da lesão
b. Elastografia com impulso virtual = ARFI (Acoustic Radiantion Force Impulse), na qual a compressão da mama é exercida pelo aparelho, é quantificável. Essa é a forma mais avançada da elastografia, a elastografia por impulso virtual ARFI, cujo primeiro e único aparelho da America latina foi importado por nosso laboratório, a Sonimage, diagnóstico médico por ultrassom. Diferentemente da manual a tecnologia ARFI é quantificável. Ela duplica as propriedades físicas utilizadas pelo método
• Reflexão (US) = visualiza a anatomia (já existe e é utilizado nos parelhos de ultrassom convencionais)
• Doppler (US) = detecta o padrão de vascularização dos tecidos, tumores e doenças (já existe e é utilizado em equipamentos de ultrassom com Doppler colorido)
• Elasticidade = faz um mapa das densidades denominado elastograma, determina precisamente a dureza dos órgãos tecidos e doenças e é uma nova propriedade física que foi incorporada pela elastografia, tanto a manual, quanto a virtual
• Velocidade de propagação da onda cisalhamento =é uma onda lateral que se propaga a partir da onda compressiva emitida pelo equipamento. Ela é proporcional a dureza do tecido, órgão ou doença: quanto mais duro, maior é a velocidade. No caso do tumor de mama é particularmente útil, pois nos oferece um dado quantitativo exato da dureza do tecido e ainda o compara com os tecidos normais da mama, dando maior segurança do diagnóstico.
11- Como funciona a elastografia?
a. US mapeia a anatomia mama, localiza a lesão a ser analisada.
b. Onda compreensiva deforma tecido e o nódulo
c. A Elastografia mapeia a dureza mama e do nódulo e analisando a elasticidade do tecido normal e anorma
d. Define o diagnóstico com base em vários critérios para diagnosticar se é benigno ou maligno, tais como, formato, tamanho, contraste e escala de dureza e podemos dizer, que de uma forma geral que o mole geralmente é benigno e o duro geralmente é maligno.
12- Qual a vantagem da elastografia sobre os demais métodos de imagem?
a. Os métodos estão baseados em contraste do normal e anormal, no tipo de composição do nódulo, mas não conseguem estimar a dureza da lesão que é importantíssima. Muitas patologias que têm um mesmo aspecto podem ter dureza diferente, como a necrose da gordura e o câncer de mama, um muito mole e outro muito duro, mas ambos causando uma mesma alteração de contraste no exame de imagem. Se determinarmos a dureza daquela alteração saberemos se é gordura ou tumor.
13- Qual é a principal utilidade da elastografia em mama?
É a diferenciação dos nódulos benignos e malignos de mama. Como dissemos, há muitas imagens que se parecem em ultrassonografia, mamografia e ressonância magnética, que podem ser malignas ou benignas, gerando biópsias desnecessárias para esclarecimento do diagnóstico correto. Mas com a elastografia é possível avaliar a dureza, o que exclui muitas hipóteses diagnósticas. É o caso de processo inflamatório, da inflamação da mama, que pode parecer maligna, mas é mole, enquanto que o câncer é duro
14- Existem casos nos quais a elastografia por si só foi capaz de detecta o tumor que não era visto por outros métodos?
a. A elastografia depende da ultrassom para mostrar a anatomia da região que vai examinar e somente após se envia o estímulo compressivo que vai verifica verificar qual é a dureza que apresentam.
b. Mas a elastografia também é capaz de detectar nódulos que não são vistos em outros métodos, devido apresentarem o mesmo padrão textural ou de contraste com o tecido adjacente. Como o tecido canceroso geralmente é duro, é possível detectar a região de endurecimento, mesmo que o padrão visual do tumor seja muito parecido com o tecido normal da mama. Recentemente conseguimos detectar um nódulo canceroso que não eram visível pelo US, nem pela mamografia, mas que era claramente identificável pela elastografia e media apenas 4 mm de diâmetro, um tamanho que nos dá a certeza que a doença é curável.
15- Há novidades esperadas na elastografia?
a. Este ano já fomos presenteados com a elastografia virtual e com a elastografia quantitativa, na qual o próprio equipamento emite a onda compressiva e permitiu o surgimento da elastografia quantitativa, que é muito mais precisa na determinação da dureza tecidual. E outros avanços estão sendo aguardados em breve.

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