Morre americana responsável pelo fim dos testes nucleares

Artigo publicado na “Folha De São Paulo” de 11/01/2011, por Ricardo Mioto e no “The New York Times”

A família da médica Louise Reiss, 90, divulgou na segunda-feira o seu falecimento, na Flórida. Ela foi a responsável por oferecer as bases científicas que levaram ao fim dos testes nucleares, nos anos 1960.

Sua colaboração foi organizar a campanha que recolheu impressionante quantidade de mais de 300 mil dentes de leite de crianças americanas, entre 1959 e 1961.

Ela provou que os dentes das crianças nascidas em 1963, no auge dos testes de bombas nucleares, tinham 50 vezes mais substâncias radioativas do que os das crianças de 1950, quando testes eram raros. Entre as substâncias, destacava-se o cancerígeno estrôncio-90, que, similar ao cálcio, agregava-se facilmente aos ossos e dentes.

Assim, mostrou que resíduos radioativos estavam parando na cadeia alimentar.

Não era pouco resíduo: entre 1945 e 1963, os EUA testaram 206 bombas nucleares, no deserto de Nevada e no Pacífico, e a União Soviética fez outros 216 testes.

Os testes espalharam substâncias radioativas pela atmosfera, que, levadas pelas correntes de ar, voltavam ao solo através da chuva –incluindo plantações.

Quando Reiss começou a divulgar seus estudos, no começo dos anos 1960, chamou a atenção do presidente John Kennedy, que negociou com a União Soviética o banimento dos testes, em 1963.

Depois disso, mais dentes foram analisados, e a quantidade de estrôncio-90 caiu.

“É possível pressionar governos com dados em vez de retórica”, escreveu em 1996.

Reiss deixa um filho, dois netos e três bisnetos.

NOSSOS COMENTÁRIOS:

Apesar dos efeitos maléficos da radiação estarem extensamente comprovados em inúmeros trabalhos científicos de peso, ainda existem muitos médicos que desconsideram esse conhecimento ao solicitar exageradamente exames que envolvem radiação ionizante para seus pacientes. Hoje não são as explosões atômicas que estão causando o aumento da radiação na população, mas sim, os exames médicos (mais de 70% da carga total segundo INH- Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos).

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