pauta da entrevista – dra lucy kerr para radio voce de americana no programa saude em destaque

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O FOCO DA ENTREVISTA foi um novo método de imagem para o diagnóstico precoce do câncer, com ênfase no câncer de mama.  A  Elastografia é o mais novométodo de diagnóstico por imagem da mama e detecta também patologias da Tireóide e do fígado, em especial auxilia a quantificar a fibrose na Hepatite C.  JUSTIFICATIVA: o câncer de mama é o 2º mais comum da mulher, sendo ultrapassado apenas pelo câncer de pele em incidência, mas é muito mais grave, tornando imprescindível que haja métodos eficazes no seu diagnóstico precoce.

ENTREVISTA da Dra. Lucy Kerr*

1-    Quais são os métodos de imagem que existem atualmente em uso para diagnóstico precoce de câncer?

R. mamografia convencional ou digital, CT, RNM e US

2-    Os métodos de diagnóstico por imagem para diagnóstico do câncer são satisfatórios e permitem a detecção precoce do câncer  em mulheres e homens?

R. não, por isso nasceu a necessidade de outros métodos

3-    Quais são os pontos favoráveis e as falhas mais comuns dos exames disponíveis atualmente (mamografia / ressonância magnética /utrassonografia) no diagnóstico do cancer de mama?

a.    A mamografia é método primário no rastreamento do cancer de mama

  • É muito sensível na mama adiposa, mas tem baixa sensibilidade na mama “densa” (aquelas que têm excesso de tecido fibroso e de glândulas mamárias)
    • Até 78% falso-negativos
    • metade das mulheres têm esse padrão denso
    • Tem baixa sensibilidade na mama operada ou que se submeteu a radioterapia
    • Tem excesso de falso-positivos e acaba indicando muita cirurgia ou biópsia desnecessárias
    • Não indicado em mama jovem, com prótese ou  de alto risco
    • Utiliza radiação ionizante, que é potencialmente cancerígena, ou seja, para rastrear o câncer usamos um método que pode provocá-lo

b.    A ressonância magnética é método muito sensível para detectar uma  anormalidade é boa para determinar extensão  do câncer já diagnosticado e  definir conduta (p.e. Nodulectomia  mastectomia), porém…..

  • É Pouco específica,  o diagnóstico diferencial benigno x maligno é pobre
  • É muito Caro, Pouco acessível, muito demorado,  claustrofóbico

c.     US é bom para o diagnóstico diferencial entre massa sólida (maior risco de cancer) e cística (benigna).  

  • Bom para caracterização lesões, diferenciando o TU mamário benigno x maligno utilizando  critérios morfológicos e Doppler. Os critérios descritos por Dr. T. Stavros tem elevada  especificidade = 99.6%, mas ….
    • não são usados universalmente.
    • O exame correto, que aplica o protocolo total é demorado
    • Muito operador dependente
    • Reprodutibilidade é ruim
    • É barato e acessível
    • Sem radiação ionizante

4-    A Elastografia é o mais novo exame presente no segmento da saúde, do qual a senhora é pioneira no Brasil. Como funciona a Elastografia?

R. sim, a elastografia é a última novidade no diagnóstico por imagem. E ela esta baseada na alteração da dureza tecidual em casos de doenças, cujo princípio  já é utilizado  na palpação. Digo precária, pois está limitado pela profundidade ou se há pouca diferença de densidade com os tecidos adjacentes.

5-    Qual a vantagem da elastografia sobre os demais métodos de imagem?

R. ela oferece uma informação nova, não disponível em nenhum outro método.

6-    Quem pode utilizar esse exame? É restrito para algum tipo de público?

R. não existe nenhuma restrição quanto aos efeitos biológicos ou dificuldade para o paciente se submeter ao exame (p.e. na RM se  o paciente tem claustrofobia terá necessidade de sedação, se tiver prótese metálica ou marca passo não poderá realizá-la). A principal restrição da elastografia  é decorrente  da indicação do exame, pois ainda não pode ser utilizado em todos os casos. Tem sido utilizada principalmente para a mama, tireóide, fígado, próstata e linfonodos.

7-    Relate um caso que a senhora tenha atendido em sua clínica recentemente e que, graças à Elastografia, o paciente conseguiu obter a reversão da doença

R. eu atendi recentemente uma paciente na qual constatei  um nódulo no istmo tireoidiano, que  não havia sido detectado em exame ultrassonográfico realizado em um dos grandes laboratórios de SP, embora  o colega mencionasse outros nódulos situados nos dois lobos (dois deles biopsiados). Pela análise US e Doppler desse nódulo ístmico, que utilizam o princípio acústico e do efeito Doppler, eu estabeleci que tinha 19% de risco de malignidade. Inclusive havia escassa quantidade de líquido internamente, o que é mais comum em nódulos benignos. Os demais nódulos eram francamente benignos, exceto um do lobo direito, que parecia ser adenoma, um tumor benigno que raramente se apresenta como benigno pelos critérios US e Doppler.  Entretanto, quando fizemos a elastografia constatamos que a parte sólida do nódulo do istmo era extremante dura, o que sugeria malignidade. Diante disso resolvemos puncioná-lo e ficou comprovada a malignidade.  Se esse nódulo ístmico não fosse detectado precocemente, o câncer poderia invadir a traquéia, pois estava acolado a ela e piorar muito a condição de vida da paciente. Realmente mudamos a conduta, de conservadora para cirúrgica e salvamos a paciente. Naturalmente que o exame tem que ser feito por profissional competente, que use um excelente equipamento e siga o protocolo completo,o  que garante que nada deixará de ser examinado e avaliado pelos critérios clássicos estabelecidos internacionalmente. Isso é básico. Mas infelizmente nem sempre o básico é realizado e daí surgem as falhas, como neste caso, no qual o nódulo maligno que estava localizado no istmo  não foi detectado e  portanto não foi mencionado no laudo do  outro colega. E pior, direcionou a biópsia para nódulos benignos que tinha. Não se pode fazer biópsias  as cegas da tireóide pois ela tem freqüentemente  muitos nódulos e estão misturados os benignos com os malignos.Então é preciso mapear e selecionar os que são de risco para avaliarmos.

Especialista: Dra. Lucy Kerr – É  formada em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), pós graduou-se em Ultrassonografia Diagnóstica pela Wake Forest University, como bolsista do CNPq e complementou seus estudos na Thomas Jefferson University, ambas nos EUA. É especialista em Ultrassom por duas entidades internacionais e quatro entidades nacionais É a Presidente-Fundadora da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia e  Diretora Executiva Fundadora da FISUSAL. Atualmente é diretora da Sonimage- diagnóstico médico por Ultrassom

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