MEDICAMENTOS ELEVAM CHANCES DE CURA DA HEPATITE C

fonte: DIARIOWEB FEV/2012- link original

Novos medicamentos, que foram autorizados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), podem elevar as chances de cura de pacientes portadores da hepatite C, o tipo mais agressivo da doença. O Telaprevir e Boceprevir já estão em uso nos Estados Unidos e na Europa. O hospital Estadual Emílio Ribas, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, referência em infectologia, testou as novas drogas para tratamento e cura da hepatite C, sob a supervisão do FDA (Food and Drug Administration) norte-americano.

A hepatite C atinge cerca de 2 a 3 milhões de pessoas no Brasil e mata em média 12 por dia. Os estudos com os novos medicamentos prometem revolucionar o tratamento da doença. O tratamento atual alcança uma média de 50% de cura, no entanto, com o Telaprevir associado ao esquema de medicação convencional (Interferon e Ribavirina) foi possível alcançar 75% de cura em pacientes não tratados e até 88% em pacientes que tiveram recaídas após se submeterem ao tratamento convencional. O Boceprevir apresentou os mesmos resultados satisfatórios. A medicação age inibindo a replicação do vírus.

Roberto Focaccia, coordenador do grupo de hepatites e responsável pelos estudos com Telaprevir e Boceprevir, no Instituto Emílio Ribas, explica que com essas novas medicações o paciente doente que nunca foi tratado apresenta um alto índice de cura. “O mais notável é o retratamento de indivíduos que já foram tratados e que não conseguiram alcançar cura. Nesses casos, o resultado tem sido mais eficiente ainda. Aqueles que tiveram uma recaída alcançaram até 90% de cura. Aqueles que responderam mal ao tratamento alcançaram 50%. É menos, mas se a gente tratar com o esquema atual o índice de cura é de 5%, no máximo”, explica.

Segundo o especialista, o problema é que esses medicamentos são caros e ainda não estão sendo oferecidos gratuitamente pela rede pública de saúde. Focaccia diz que a previsão é de que o Ministério da Saúde libere a medicação a partir do segundo semestre desse ano. “Eles ainda não definiram quem vai receber, vai ter uma análise e por questões econômicas deve ser destinado a determinados pacientes, especialmente aqueles que estão em uma fase mais avançada da doença.

Mas, cientificamente, os novos medicamentos deveriam ser utilizados por todos os doentes, porque é um ganho muito grande”, afirma. Assim como o tratamento convencional com Interferon e Ribavirina, os novos medicamentos podem acrescentar efeitos colaterais,pois são associados ao antigos. O Boceprevir pode desencadear anemia, enquanto o Telaprevir apresenta lesões na pele. “A experiência mostra que conseguimos levar o tratamento até o fim, com algum transtorno para o doente, mas também com a alta probabilidade de cura.”

A duração do tratamento com o Telaprevir ou Boceprevir, conjugado ao tratamento convencional (Interferon e Ribavirina), varia de acordo com a resposta de cada paciente. A hepatite, segundo Focaccia, é uma doença silenciosa, que não se manisfesta – a pessoa só descobre quando faz determinados exames ou quando já está em uma fase muito avançada, apresentando cirrose hepática ou câncer de fígado. Nesses casos, dificilmente há tratamento.

Para o médico, a nova medicação é a esperança de cura para pessoas com hepatite C. “Acreditamos que a hepatite será controlada totalmente daqui a uns 10 ou 15 anos. Vamos alcançar a cura nos próximos 10 ou 15 anos. O problema é que temos entre 2 e 3 milhões de brasileiros infectados e que não podem esperar, eles precisam tratar com urgência. Quanto mais precoce o tratamento, melhor e maior o índice de cura. Se não tratar, vai ter consequências piores, como um transplante de fígado ou até a morte”, diz.

Diagnóstico considera grupos de risco

A hepatologista Rita de Cássia Martins Alves da Silva, coordenadora clínica da unidade de transplante de fígado do Hospital de Base, de Rio Preto, explica que o diagnóstico deve ser pensado em todos os pacientes que já tiveram exposição e risco de contrair a hepatite C. Entre os principais grupos de risco estão pessoas que receberam transfusão de sangue ou transplantes de órgãos antes de 1992, usuários de drogas, indivíduos com histórico de outro tipo de hepatite na infância, profissionais do sexo, portadores do HIV, profissionais da saúde, entre outros.

Segundo a médica, para detectar a doença é feito um exame de sangue específico, o anti-HCV, que está disponível gratuitamente na rede pública de saúde. Outro teste feito é o PCR qualitativo para o vírus da hepatite C, que em Rio Preto pode ser feito nos centros de referência e no Hospital de Base. “Se o resultado for positivo, será necessário fazer a biópsia, que juntamente com os exames vai demonstrar a necessidade do tratamento”, afirma.

O teste PCR quantitativo do vírus da hepatite C vai indicar o número de vírus para ser tratado. “A rede pública oferece o tratamento gratuitamente, e quando os resultados são positivos o paciente já é encaminhado para o centro de referência”, diz. A especialista lembra que a doença é silenciosa. “Os pacientes não têm nenhum sintoma, por isso, os que têm, têm risco, precisam ser avaliados. Esses pacientes podem passar a vida inteira sem saber que tinham a doença.”

Outro exame que pode ser feito atualmente é a elastografia,disponível apenas na rede particular. O teste não invasivo avalia se o fígado tem cicatrizes ou fibroses decorrentes do avanço de qualquer tipo de hepatite. Segundo Lucy Kerr, especialista em ultrassonografia e a primeira médica a fazer o exame no Brasil, a elastografia é feita por meio da emissão de ondas de ultrassom e imagens, sem a necessidade de cortes ou anestesia, utilizados tradicionalmente para a realização da biópsia das células do fígado. “A elastografia tem se mostrado muito superior à biopsia, pois o exame avalia todos os segmentos hepáticos e consegue mostrar qual deles está pior”, diz.

 
 

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