SOBRE A ELASTOGRAFIA E O DIAGNÓSTICO DO CÂNCER DE PRÓSTATA…

Recebemos um e-mail de um paciente que deseja conhecer como a elastografia auxilia no diagnóstico de câncer de próstata e o informamos que a elastografia já está disponibilizada em sondas transretais, que associam três métodos diagnósticos em um único equipamento, o AS2000, pela via retal e esse exame representa o que há de mais moderno e preciso em termos de diagnóstico de próstata, que é a associação de 3 métodos:

•  a ultrassonografia transretal com sonda de alta resolução , que é capaz de detectar todos os tumores focais nodulares simples ou circundados por uma zona de infiltração ao redor por meio de uma análise morfológica completa. Os tumores detectados dessa forma correlacionam bem com os tumores que tem comportamento mais benigno e são capazes de secretar PSA, mas a ultrassonografia transretal simples não consegue detectar o tumor difuso da próstata, o mais maligno e agressivo do tumores da próstata e o principal responsável pela engorda das taxas de mortalidade por câncer de próstata.

•  Estudo com o Power Doppler , realizado concomitantemente com o exame US transretal, que detecta o padrão de vascularização da próstata e do Tumor, que se manifesta como área focal ou difusa de irrigação sanguínea anômala por vários sinais:

•  Pela quantidade de vasos (é hipervascularizado);

•  pela presença de vasos anômalos (neovascularização tumoral);

•  pela convergência de vários vasos para a lesão;

•  pelo aumento da velocidade do sangue que irriga o tumor.

Este exame deve ser realizado sempre junto com o exame transretal, pois além de “enxergar” zonas cancerosas similares aos outros métodos, ele é capaz de detectar o tumor difuso e mais agressivo da próstata, o que é muito difícil de ser diagnosticado pelos métodos convencionais ( toque retal e dosagem do PSA). Tão importante este estudo que hoje se recomenda a orientação da biopsia da próstata para as regiões hipervascularizadas identificadas pelo Power Doppler, pois é quando as biópsias tem a melhor acuidade, a melhor precisão.

•  Estudo elastográfico da próstata . A elastografia é um método de imagem onde se mede a compressibilidade (elasticidade) dos tecidos. Quanto mais duro o tecido, nódulo ou tumor, menor é a elasticidade tecidual, menor será a variação entre o comprimento inicial e o final quando submetido a uma onda compressiva, que é emitida pelo equipamento. O câncer de próstata e uma área de inflamação podem ser muito parecidos na US transretal, mas quando se faz a elastografia a câncer é duro e a inflamação é mole, propiciando diferenciar um do outro.

Sorte têm os homens, pois se fizerem todo esse roteiro direitinho, estarão protegidos de surpresas desagradáveis. Nesse caso estão em vantagem sobre as mulheres, pois os métodos de rastreamento disponibilizados para elas não são tão eficazes. A mamografia não consegue detectar os cânceres das mamas densas (metade das mulheres tem mamas densas) e somente aquelas que podem fazer a Ressonância magnética ou ter exames de ultrassonografia das mamas que sigam o protocolo completo recomendado pelo estudo do ACRIN podem se considerar protegidas. Geralmente o protocolo completo de ultrassonografia das mamas, recomendado pelo ACRIN – departamento de imagem do Instituto Nacional do Câncer dos EUA – não é realizado rotineiramente na maioria dos serviços do Brasil, devido ser muito demorado. Não é o caso do nosso laboratório, que é conhecido e reconhecido por se ater aos detalhes e nenhum detalhe seria mais importante do que um protocolo completo, ainda que demorado, recomendado por consenso dos maiores especialistas de ultrassonografia das mamas.

Fig 1- imagem US transretal da próstata . Observe as duas áreas hipoecogênicas e hipervascularizadas situadas nos cantos da base da próstata e assinaladas como AA1 e AA2 (as áreas tubulares amarelo-alaranjado são os vasos), que poderiam ser câncer.

Fig 2- imagem duplicada da próstata: à esquerda é a US e a da direita é o elastograma correspondente . Observe que a área hipoecogênica AA1 à esquerda é dura pela escala de cores e suspeita de câncer, enquanto que a área AA2 à direita é mole e compatível com prostatite. Na barra vertical colorida no extremo direito da foto codifica a dureza: a parte inferior da barra, em vermelho, significa tecido duro, a parte superior, em azul, indica consistência mole, enquanto que os valores intermediários estão situados entre esses extremos .

Espero ter respondido a sua pergunta. Estamos disponíveis para qualquer esclarecimento adicional.

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