CAPÍTULO DOPPLER GASTROINTESTINAL DO TRATADO DA SBUS “DOPPLER EM MEDICINA”

Acabo de entregar minha contribuição para o tratado da SBUS “Doppler em Medicina”, no qual ficamos responsáveis por escrever a parte de Doppler gastrointestinal.

Nosso capítulo tem 88 páginas de texto, 104 páginas de fotos legendadas e mais 16 páginas de Bibliografia. Um trabalho hercúleo, que nos exigiu muitos finais de semana e feriados, mas concluímos ontem, quando enviamos para a SBUS.

Para que tenham um gostinho do que será abordado, vamos dar uma pequena amostra bem resumida:

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS DA PATOLOGIA DA PAREDE GASTROINTESTINAL

 A avaliação da parede espessada do trato gastrointestinal na ultrassonografia é muito superior à avaliação gastrointestinal normal por duas razões principais. A primeira é devido a alça intestinal com parede espessada, particularmente se associada a anormalidades de tecidos de partes moles peri entéricos, criar uma janela acústica formada pela alça afetada centralmente situada e os demais tecidos de partes moles afetados ao seu redor,  permitindo que seja facilmente vista na ultrassonografia, especialmente devido a alça intestinal espessada conter relativamente menos gases, o que melhora a resolução de contraste  ultrassonográfica. O segundo motivo é a ultrassonografia ser capaz de identificar toda a espessura da alça intestinal e as patologias aí localizadas, não estando restrita aos problemas do lúmen gastrointestinal, como na endoscopia. Um exemplo clássico é a endometriose intestinal, que inicialmente afeta a parede da serosa e gradualmente vai infiltrando as demais camadas da parede intestinal, de fora para dentro. Existem vários padrões ultrassonográficos característicos de espessamento difuso ou localizado da parede  do trato gastrointestinal:

  • padrão em alvo ou pseudo rim.
  • Padrão de espessamento parietal localizado e assimétrico,
  • Padrão de crescimento exofítico,
  • Padrão de crescimento endoluminal, geralmente patologias originárias da mucosa do tubo digestivo, benignas ou malignas e que podem ter uma variedade de apresentações na ultrassonografia e frequentemente não são vistas, pois estão escondidas por gás e fluido intra luminal. As mais freqüentes são os pólipos, que muitas vezes são identificados casualmente na ultrassonografia endovaginal, especialmente durante a realização do estudo Doppler ginecológico, cujo aspecto típico é de pedículo vascular único, com artéria e veia, penetrando no interior de tecido sólido em bloco com a parede intestinal e ramificando-se abundantemente no seu interior (fig.15):

  • Fig. 15A  Pólipo benigno pediculado do cólon em transversal na fossa ilíaca esquerda (projeção do cólon sigmóide), visualizado pela via transvaginal, que mostra uma massa no lúmen intestinal de 1.5 cm de diâmetro (cabeças de setas), ligeiramente menos ecogênica do que o restante do conteúdo  da alça (padrão de crescimento exclusivo endoluminal). Observar que a assinatura intestinal está preservada nesse segmento

Fig. 15B. Imagem Doppler da lesão.Neste estudo foi possível identificar que a massa era pediculada, pois foi visto o pedículo vascular proveniente da parede lateral esquerda do intestino, que percorria trajeto de curta distância extra-massa antes de penetrá-la e ramificar-se profusamente no seu interior, o que deu a certeza de que correspondia a tecido vivo endoluminal e afastou-se a possibilidade de ser apenas parte do conteúdo intestinal.

O aspecto de pólipo pediculado foi corroborado na colonoscolpia realizada pela paciente, mostrada a seguir:

Pólipo intestinal antes da remoção, mostrando o pedículo (seta)

Após remoção do pólipo e cauterização do pedículo

O pólipo que foi removido

Tem muito mais no nosso capítulo para aqueles que são ultrassonografistas e desejam se iniciar no diagnóstico das patologias intestinais, uma das áreas que requerem olhos mais treinados do especialista, mas que pode beneficiar muito o paciente, indicando os exames que deverão ser realizados na sequencia, Recomendo a todos. O lançamento do tratado Doppler de Medicina será durante o 16° Congresso Brasileiro da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, a ser realizado de 24 a 27 de outubro de 2012, em São Paulo, no Centro de Convenções Frei Caneca, 5º andar, em São Paulo.

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