OUTRA BOA NOTÍCIA

LIVRO DA HISTÓRIA DA ULTRASSONOGRAFIA NO BRASIL FOI PUBLICADO DURANTE o 16º CONGRESSO BRASILEIRO DA – SBUS E 8º CONGRESSO INTERNACIONAL DE ULTRASSONOGRAFIA DA FISUSAL

A Dra Lucy Kerr é autora do capítulo “SBUS-Sociedade Brasileira de Ultrassonografia e a primeira presidenta  da SBUS” no livro sobre a “A História da Ultrassonografia no Brasil”, de autoria de Hugo Campos de Oliveira Santos,  Rui Gilberto Ferreira e Waldemar Naves do Amaral, este último é o atual presidente da SBUS. A Dra. Lucy também fez parte do CORPO EDITORIAL, juntamente com Dr. Waldemar Naves do Amaral, Dr. Hugo Campos Oliveira Santos, Dr.  Sang Choon Cha, Dr. Pedro Pires Ferreira Neto, Dr. Francisco Mauad Filho e Dr. Rui Gilberto Ferreira.

No prefácio Dr. Hugo Campos Oliveira Santos diz que “Rever a história da ultrassonografia no mundo e no Brasil é voltar ao tempo e fascinar-se com os relatos profissionais dos pioneiros desta tecnologia no país. Construir assim, um documentário histórico e um jornalístico para compreender como se formou e de que maneira se expandiu a prática da ultrassonografia.

Essa obra resgata valores históricos da implantação e da expansão da ultrassonografia no país; considera-se uma investigação pioneira e esclarecedora para o entendimento de como uma tecnologia diagnóstica se expandiu, adquirindo sentidos tão divergentes de sua proposta original, assim como em outra direção, lançar luz sobre o contexto no qual esta tecnologia foi introduzida no Brasil.

O presente livro está inserido no campo da medicina, das ciências da saúde e do conhecimento, que entende que não apenas a história é fundamental na determinação dos caminhos do desenvolvimento tecnológico da ultrassonografia, como considera que a tecnologia modela diversos aspectos da própria sociedade médica que a construiu. “

Dr. Hugo Campos Oliveira Santos

Nesse livro são relatadas algumas curiosidades, como  a maneira como se realizava o exame de  US  nos idos de 1957:

Nesta época, o paciente tinha que ficar submerso e imóvel dentro de uma banheira com água para a realização do exame. Um procedimento nada prático e que produzia imagens de baixa qualidade e resolução (1,12).

Dr. Sérgio Luiz Simões conta a  HISTÓRIA DA SUSEM , a primeira sociedade brasileira de US no Brasil: O ultrassom no Brasil teve vários pioneiros, e um deles foi o saudoso Dr. Mário Donicoffi (Professor da Escola Paulista de Medicina) que juntamente com um grupo significativo de médicos que se reuniram em 23 de abril de 1977, para fundar a Sociedade Brasileira de Ultrassom em Medicina e Biologia, denominada SUSEM. O primeiro presidente da SUSEM foi o professor de Oftalmologia Luis Eurico Ferreira, que trouxe o primeiro aparelho de eco em oftalmologia para o Brasil.

 A Sociedade foi dividida em duas regionais, a Sul e a Norte. A regional (Sul) teve como presidente Dr. Marco Aurélio Pavani, e a regional (Norte) tinha eu mesmo (Sérgio Simões) como presidente, e foi fundada na Maternidade Escola em 23 de abril de 1977.

Nós fizemos o primeiro congresso pela regional Norte, sendo o primeiro congresso de ultrassom, no Rio de Janeiro/RJ, no Hotel Nacional. Esta Sociedade fez mais alguns congressos em São Paulo, realizou os primeiros exames de habilitação na Sociedade. No diploma está escrito especialista, mas era um erro grave, pois não existia a ultrassonografia como especialidade.

A Sociedade foi registrada, tomou assento na Associação Médica Brasileira (AMB), mas em nenhum momento teve admissão no Conselho Federal de Medicina (CFM). Esta Sociedade chegou a emitir títulos de especialista em ultrassom. Porém, eram apenas certificações, como se fosse mais uma qualificação. Nós fizemos o segundo congresso e creio que não houve o terceiro, pois fomos assumidos pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).

A parceria com o CBR iria nos ajudar bastante a termos forças de negociação com as entidades de convênio médico e de saúde. De fato isso não ocorreu. Continua tendo até hoje total inabilidade e impotência diante de negociações com as entidades atuais de seguro de saúde. Os convênios sempre dominaram o mercado, pagavam pouco e ganhavam dinheiro em cima do trabalho médico. Eles passaram a autorizar a ultrassonografia previamente, afirmavam que o exame era abusivo porque toda grávida queria fazer para ver o bebê. O que não era verdade, a mãe queria fazer o exame para ver se estava tudo certo e normal com seu filho.

A Dra. Lucy Kerr encabeçou o movimento médico e fundamos a SBUS (Sociedade Brasileira de Ultrassonografia) com o intuito principal de fazer os ultrassongrafistas fossem efetivamente representados. Uma vez que o CBR não estava nos representando adequadamente, principalmente em relação aos convênios. Atualmente, sou o vice-presidente da Sociedade de Radiologia da parte de Ultrassom, e acho que a grande proliferação de eventos, congressos e provas de títulos ficou muito confusa. Deveria ser tudo unificado ou criado a especialidade em ultrassonografia. Sou totalmente favorável que estejamos unidos, fazendo questão de ter mais força política junto a AMB e ao CFM.

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Dra Lucy Kerr

A Dr. Lucy Kerr é a Presidente fundadora da Sociedade Brasileira de ultrassonografia e descreve sobre a criação e história da SBUS.

“Em 1967, meu pai era geneticista e professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, onde morávamos. Na época ele trabalhou como convidado do BID- Banco Interamericano de Desenvolvimento e lá teve informações sobre o ultrassom, que era uma nova modalidade de diagnóstico. Este equipamento permitia a visualização interior do corpo humano. Então, poderíamos fazer diagnósticos de patologias, com uma grande vantagem. Esse novo método utilizava o feixe ultrassonográfico, que era emitido para os tecidos e não causava dano biológico à célula. Enquanto o feixe do Raio X, a radiação ionizante e os raios gama poderiam causar algum dano no material genético e problemas de saúde posteriormente.

Falando um pouco de história, compramos o nosso primeiro equipamento de ultrassom em 1974, porém, ele chegou somente em 1975. Somos um dos pioneiros da ultrassonografia brasileira, nós recebemos o primeiro equipamento de ultrassom importado pela Toshiba no Brasil. Na época o aparelho tinha uma imagem apenas preta e branca. Não tinha contraste de cinza e também não apresentava imagens em movimento, era estático.

Como a imagem era ruim, nos não tínhamos muita certeza se o feto estava vivo ou não, pois, não se conseguia ver os batimentos do feto, não se conseguia ver os movimentos que ele apresentava durante o exame. Neste equipamento dependia-se muito de outra parte que era o módulo A, para localizar aproximadamente a região do coração e verificar se tinha um movimento semelhante ao movimento cardíaco.

Ainda em 1977, nós fomos para os Estado Unidos, na Carolina do Norte, onde fizemos um programa de Pós-graduação e nessa ocasião foram iniciados em todos os laboratórios do mundo os aparelhos estáticos, mas com escala cinza. Porém, se pegarmos a descoberta da escala de cinza, ela é anterior, porque sempre a coisa sai no laboratório de pesquisa antes de ser comercializada. Acredito que em meados de 1973 foi quando se descobriu a escala de cinza. O que quer dizer que se descobriu uma parte do equipamento que fazia conversão de varredura que era capaz de transformar aquele sinal captado em escala de cinza. A partir desta data começávamos a delinear muito bem como era a morfologia do fígado, da vesícula, do pâncreas e de outros órgãos, proporcionando que as outras especialidades médicas também fizessem uso da ultrassonografia, que até então era restrita a Obstetrícia.

Nesse mesmo ano (1977), ocorreu a criação da primeira Sociedade Brasileira de Ultrassom em Medicina e Biologia (SUSEM). No Brasil, os pioneiros da ultrassonografia na época eram em torno de 17 pessoas. Quando eu voltei dos Estados Unidos, comecei a ter contato com SUSEM, eles me telefonaram para que eu fizesse parte e nós assinamos a adesão depois da ata de abertura. E essa entidade permaneceu até 1984, tendo a Sociedade trabalhado durante 8 anos, aproximadamente, quando se uniu ao CBR – Colégio Brasileiro de Radiologia, com a promessa de que essa entidade facilitaria o reconhecimento da Ultrassonografia como especialidade médica Pelo CFM – Conselho Federal de Medicina, o que não aconteceu até a data da publicação deste livro.

Tivemos alguns congressos importantes, um em 1978 no Hotel Nacional (Rio de Janeiro/RJ), e outro congresso em 1984, na Bahia, ambos foram ótimos. Organizei esse último congresso a pedido do Dr. Paulo Baltazar, que me convidou para ajudá-lo em 1984. O evento foi um grande sucesso, trouxemos nomes importantíssimos da ultrassonografia mundial.

No início da década de 1990 foi estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que a ultrassonografia era ato médico. Eles entenderam que somente um médico teria condição de compreender e interpretar corretamente as imagens ultrassonográficas, e que isso exigia um conhecimento de patologia, um conhecimento de fisiologia, anatomia, muitas vezes de ginecologia/obstetrícia. Era impossível de ser dominados por um técnico, principalmente técnicos brasileiros que não têm uma formação de nível universitário, como no exterior.

Aproximadamente nesta mesma época (1991-1992) surgiu a idéia de criar a SBUS, pois, o CBR (Colégio Brasileiro de Radiologia) começou a fazer restrições ao exercício do ultrassom para o médico ultrassonografista que não fosse também um radiologista. O CBR na época criou verdadeiros feudos comandados pelo radiologista de uma cidade ou região, o qual era credenciado pelos convênios de saúde local e  subcontratavam ultrassonografistas para trabalhar para eles. Assim, eram praticados baixos valores para os ultrassonografistas e não era permitido que os ultrassonografistas tivessem convênios médicos credenciados em seus próprios nomes. A justificativa na época era porque os ultrassonografistas não eram radiologistas. Foi uma perseguição terrível, e para o médico ultrassonografista fazer a prova de título que o CBR exigia-se que fossem apresentados por 2 radiologistas titulados pelo CBR, os quais frequentemente se recusavam a assinar a carta de apresentação, o que tornava o processo ainda mais difícil, complicado e humilhante para o ultrassonografista. 

Então, vários fatos foram se acumulando, coibindo os ultrassonografistas de terem convênio em seus nomes, praticando trabalho quase escravo, ocorriam impedimentos por parte do CBR e enormes dificuldades referentes ao acesso à prova. Foi quando o Dr. Waldemar Naves do Amaral e outros ultrassonografistas brasileiros chegaram ao Dr. Luiz Antônio Bailão e pediram que ele comandasse uma nova Sociedade Brasileira de Ultrassonografia.

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Dr. Luiz Antônio Bailão – Fonte: www.soladim.org.ar

Em 1992, o Dr. Luiz Antônio Bailão iniciou um primeiro trabalho, convocando ultrassonografistas para uma reunião sobre a Sociedade Brasileira de Ultrassonografia.

Segundo informação que me foram passadas pessoalmente pelo Dr. Sidney de Souza Almeida, presidente do CBR de 1985 a 1987, os dirigentes do CBR da época descobriram a movimentação e ofereceram ao Dr. Bailão o cargo de presidente do Departamento de Ultrassonografia do Colégio (CBR), com a condição de que ele não fundasse a Sociedade de Ultrassonografia Brasileira. Ameaçaram, na época, cortar os convênios para os quais o Dr. Bailão estava credenciado e, de fato o CBR tinha influência direta nas empresas seguradoras.  Dr. Bailão aceitou o cargo que lhe ofereceram e não prosseguiu na idéia de criar a primeira Sociedade Brasileira de Ultrassonografia.

Em 1992, o Dr. Waldemar Naves do Amaral junto com outras pessoas então vieram conversar comigo (Dra. Lucy Kerr) e me escolheram para liderar o movimento de criação da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia e fizemos uma chapa prévia onde eu seria a primeira presidente da SBUS (Sociedade Brasileira de Ultrassonografia), justamente porque trabalhava apenas com clínica particular eu não tinha convênios médicos que permitissem aos radiologistas exercer pressão econômica  forte sobre mim.

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Dr. Waldemar Naves do Amaral – Fonte: http://www.fertile.com.br

Em 21 de agosto de 1993 foi fundada a Sociedade Brasileira de Ultrassonografia. Eu, Lucy Kerr, uma das fundadoras, fui eleita a primeira presidente.

A administração da SBUS era formada por Wagner José Gonçalves, vice-presidente; Emilio Marussi, secretário geral; Margarete Bertoletto, tesoureira geral; Elyane Rangel, diretora científica; Elizabeth Rudner, diretora social; Odivânia Moscogliato, diretora de comunicação e Elias Mendonça, editor. O Comitê Científico era formado por: Mariliza Volpe, Luciene Franco, Carlos Shigueoka, Maili Ferner e Isabel Boing Eastman. O Conselho Editorial era formado por: Sérgio Luiz Simões, Júlia Maria Gobbo, Mirian Tarraf, Tereza Feldner e Andrea Acairin. “

http://www.amrigs.org.br/argus/moodle/pluginfile.php/47/block_html/content/logo_SBUS_fundo%20preto_site.png

Logomarca SBUS: Sociedade fundada em 21 de agosto de 1993

Fonte: http://www.sbus.org.br

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