O QUE FAZER SE VOCÊ TIVER UM NÓDULO NA TIREÓIDE?

Recebemos um e-mail de uma paciente pelo nosso portal, no qual ela me relata que tem um nódulo na sua tireóide com vascularização central, embora seus exames laboratoriais não acusem nem hipo ou hipertireoidismo e que sua médica solicitou uma PAAF da lesão suspeita. Pergunta também se o nódulo pode ser maligno.

Respondemos a ela dizendo que, em primeiro lugar é importante que saiba que os nódulos tireoidianos raramente afetam a função tireoidiana, que é mais frequentemente comprometida quando a tireopatia é difusa, como na Tireoidite linfocítica e na Doença de Graves. Portanto, você pode ter nódulos e sua função tireoidiana ser normal. Para que o seu médico saiba se você é portadora de alguma doença tireoidiana e rastrear todas as possibilidades ele tem que solicitar:

  1. as dosagens hormonais (T3,T4,TSH,T4 livre) para verificar se a função está normal
  2. dosar os anticorpos antitireoidianos para verificar se você tem patologia autoimune
  3. solicitar a Ultrassonografia da Tireóide para saber se é portadora de nódulos tireoidianos.

A médica que está solicitando sua PAAF tem seus motivos para isso e um deles é que atualmente
os nódulos (e o câncer de tireóide) são tão frequentes que, nos congressos médicos,  recomenda-se aos clínicos que peçam a Ultrassonografia da tireóide de rotina para seus pacientes.

Segundo estudo liderado por Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e de Endocrinologia do Hospital A.C. Camargo de São Paulo, o número de casos de câncer de tireóide diagnosticados em exames aumentou dez vezes nas duas últimas décadas. Na instituição, foram 34 casos em 1992; em 2012, 350.

Na capital paulista, segundo o Oncocentro, são mais de mil novos casos entre as mulheres a cada ano. Se há cinco anos a doença não aparecia nas estatísticas, agora chega a 5% dos casos de cânceres em
mulheres.

Infelizmente tenho que te informar que é comum erros na ultrassonografia da tireóide, uma vez que muitos colegas não utilizam o protocolo completo, que inclui em identificar, mapear, classificar de acordo com o risco de malignidade cada nódulo tireoidiano detectado pelos critérios ultrassonográficos (módulo B), Doppler e, mais recentemente,  elastográficos (determina a consistência, a dureza dos nódulos).

A análise completa, que pode demorar até 2 horas para ser realizada, permite selecionar os nódulos que são mais suspeitos de malignidade e indicar a biópsia com agulha fina e Citopatologia do material, se necessário.

Esse é o procedimento que realizamos em nossa clínica e um dos motivos pelos quais nosso laboratório é reconhecido na classe médica por seu alto padrão de qualidade. Também analiso os exames que foram realizados
anteriormente e faço um histórico médico do caso, criando um prontuário que permanece em nossa clinica, juntamente com as fotos e cópias de outros exames, para ser analisado em conjunto com os dados evolutivos US.

Mas, exatamente devido esse protocolo completo ser demorado, está geralmente restrito à pesquisa e não tem sido aplicado na rotina, o que pode explicar muitos erros e discordâncias de diagnóstico na
tireóide.

Nos colocamos a sua disposição para esclarecimentos adicionais que se façam necessários.

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