PERGUNTAS E RESPOSTAS MAIS FREQUENTES SOBRE A ELASTOGRAFIA MÉDICA PARTE 2

Estamos respondendo às perguntas que nos fizeram vários médicos e pacientes sobre a elastografia, o mais novo e mais importante método de diagnóstico por imagem, desde o advento da Ressonância magnética. Esse assunto palpitante está na crista da onda, suscitando muitas questões e desejo compartilhar com vocês o que aprendi nos últimos 2 anos e meio utilizando-o em meu consultório. 

1) Quais são as técnicas utilizadas para avaliar a elasticidade dos órgãos, tecidos e doenças em Medicina?

R.  Atualmente existem várias técnicas e aparelhos de elastografia para estudar a elasticidade, inclusive com princípios físicos distintos, ou seja, o que é avaliado em um equipamento difere do que é avaliado em outro e a qualidade da elasticidade mensurada varia. os principais métodos elastográficos em uso:

  1. Elastografia estática baseada na correlação, que geram imagens denominadas de elastogramas apor meio da compressão manual (compressão mecânica) e é mais conhecida como Elastografia manual. Essas imagens são mostradas em uma tela de TV, que esta subdividida em 2 metades: a da  Esquerda é a imagem ultrassonográfica e a da direita é o Elastograma equivalente àquela imagem ultrassonográfica.  Utilizam essa tecnologia os seguintes fabricantes de equipamentos elastográficos: Siemens, Hitachi e Zonar
  2. Elastografia baseada no Doppler vibracional, que é empregada pela Toshiba
  3. Elastografia baseada nas ondas cisalhamento: existem duas empresas que utilizam esta modalidade, uma é a da Supersonic Image (acoplada no aparelho Aixplorer), na qual as imagens são produzidas com as ondas de cisalhamento;  a outra é Siemens, acoplada no equipamento Acuson-Siemens 2000, que utiliza a tecnologia do impulso de radiação acústica ou ARFI – Acoustic Radiation Force Impulse, para  produzir duas modalidades distintas de equipamento: uma que produz elastogramas e é denominada de Elastografia de toque virtual (ou simplesmente elastografia virtual), pois o elastograma é produzido  vibração virtual das ondas de cisalhamento e a  outra que é a elastografia quantitativa, que estima a dureza tecidual pela mensuração da velocidade de propagação das ondas de cisalhamento.  Atualmente as modalidades que empregam as ondas de cisalhamento são as que estçao ganhando mais impulso pois têm se demonstrado mais diagnósticas.
  4. Elastografia dinâmica, que é utilizada principalmente acoplada aos equipamentos de Ressonância magnética.

Na maioria das vezes você não pode aplicar a quantificação de um equipamento em outro, pois está faltando padronização, como sempre acontece quando uma tecnologia é nova.

Na elastografia manual o impulso compressivo é obtido pela  compressão externa exercida manualmente pelo examinador sobre o tecido a ser examinado e nos fornece uma mapa das durezas teciduais (o elastograma), mas sua profundidade é limitada  e ela é mais subjetiva.  Utiliza o Score de cores, cuja escala está ao lado da imagem, variando do duro ao mole (há escalas em tons de azul a lilás, passando pelo verde e amarelo, e outras que utilizam escalas em vermelho ao amarelo). O importante é olhar a barra lateral e verificar qual é o código de cores. A elastografia manual é método qualititativo. O Elastograma, verdadeiro mapa da dureza dos tecidos, é muito útil para distinguir os tecidos duros dos moles. A principal vantagem da elastografia manual é que a imagem obtida tem maior nuances de cores e mostra  sutilezas das variações da dureza tecidual .

Fig 1 Elastografia manual. Imagem na tela do monitor de TV é subdividida em 2 metades: a da  Esquerda é a imagem ultrassonográfica e mostra um nódulo  da tireóide delimitado por uma linha amarela, que é mostrada também na imagem da direita,  o Elastograma equivalente àquela imagem ultrassonográfica e mostra o nódulo como de cor vermelha escura. A escala de cores da barra lateral vertical à direita mostra que a cor vermelha escura equivale a lesão muito dura e tratava-se de um câncer de tireóide na cirurgia.

Já a elastografia virtual utiliza as ondas de cisalhamento, as quais se propagam lateralmente ao impulso compressivo, como ocorre nos abalos sísmicos: o tremor vai muito além do epicentro do terremoto, pela propagação das ondas laterais a ele. As ondas tensionais de cisalhamento induzidas remotamente pela força de radiação acústica de ultrassom focado pode ser muito bem localizada, permitindo um posicionamento preciso do local de excitação e oferece ao médico um dedo virtual para testar as regiões internas de interesse. As velocidades das ondas de cisalhamento variam de 1 a 100m/s, ou seja, essa grande escala de freqüências permite maior gama de utilização. As vantagens da imagem de elasticidade ARFI (força de radiação acústica) – baseada na  onda de cisalhamento são:

  • o impulso compressivo é criado dentro do paciente;
  • é capaz de formar uma imagem;
  • é capaz de quantificar em metros por segundo;
  • o Elastograma obtido com as ondas de cisalhamento pelo toque virtual é mais preciso do que o manual na quantificação da dureza tecidual, pois não incorre nas variações do grau de compressão tecidual do Elastograma manual para estimar a dureza do tecido, uma vez que a força compressiva é emitida pelo próprio equipamento, muito focada e  calibrada.

O mapa do elastograma virtual utiliza a escala de cinza: quanto mais branca a lesão, mais amolecida será, e quanto mais escura, mais dura será. Cada tecido possui um determinado grau de dureza: a gordura e a necrose são moles, enquanto que  o  Câncer e a cirrose são duros.

Fig 2  Elastografia virtual. Imagem na tela do monitor de TV é subdividida em 2 metades: a da  Esquerda é a imagem ultrassonográfica e mostra um nódulo  delimitado por uma linha amarela, que é mostrada também na imagem à direita,  o Elastograma virtual,  equivalente àquela imagem ultrassonográfica, que mostra o nódulo  de cor  escura nas margens (parte dura) mas contendo uma  região central muito branca e mole. A escala de cores da barra lateral vertical à direita mostra que a cor escura inferior equivale a lesão muito dura e a parte branca superior equivale a  tecido mole tratava-se de um câncer de tireóide muito maligno, denominado anaplásico, que continha uma área central de necrose tumoral (parte do tumor amolecida, quase líquida).

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