DEU ATÉ NO NY TIMES – RADIAÇÃO MÉDICA É PERIGO CERTO

A Notícia publicada no NY times em 31 de janeiro 2014,  escrita por duas médicas americanas experts em radiação médica transcrevemos abaixo no original em inglês e na versão em português. Tudo que falam vem confirmar nossa luta de anos para reduzir nossa exposição a exames radiológicos, especialmente àqueles que são repetidos com frequência e podem estar causando mais mal do que bem, como a mamografia e a Tomografia computadorizada. Endossamos tudo o que foi falado e ainda é pouco. Pior será o futuro se não despertarmos agora para o perigo silencioso que representa a radiação médica. Não podemos evitar a radiação cósmica e ambiental advinda de terrenos radioativos por onde transitemos ou de explosões atômicas e acidentes nucleares, cujo alcance ultrapassa o que imaginamos e muito. Para termos a atitude correta temos que conhecer. Leiam o artigo para se informarem e decidirem o melhor para suas vidas. E relembrando, para jamais esquecer, os únicos exames sem nenhum efeito biológico comprovado até hoje são a Ultrassonografia, o Doppler e a Elastografia. Esse motivo pesou muito em minha escolha: não prejudicar enquanto eu examino e faço os diagnósticos. 

Estamos provocando câncer em nós mesmos

By RITA F. REDBERG and REBECCA SMITH-BINDMANJAN. 30, 2014

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Ilustração de  Ben Jones

A despeito dos grandes esforços despendidos na prevenção e tratamento, a taxas do câncer continuam extremamente elevadas e pode sobrepassar em breve as doenças cardíacas como maior causa de morte nos Estados Unidos.  Surpreendentemente, nós e muitos outros experts acreditam que uma boa parte da culpa possa estar na nossa própria prática médica: nós estamos silenciosamente nos irradiando até a morte. O uso de métodos de imagem com elevada dose de radiação – a tomografia computadorizada (CT) em particular — aumentou nos últimos 20 anos. A exposição resultante da radiação médica tem aumentado mais do que seis vezes de 1980 a 2006, de acordo com o Conselho Nacional de Proteção à Radiação  & Medidas dos EUA. As doses de radiação das varreduras da CT  (uma série de imagens de Raios-X de múltiplos ângulos) são de 100 a 1000 vezes maiores do que o Raios-X convencionais.

Naturalmente, que o diagnóstico precoce pode salvar-vidas. Mas existe pouquíssima evidência  de melhor prognóstico para o paciente associadas com as elevadas taxas de utilização das varreduras por CT. Por outro lado, existem sim muitas evidências de que é perigoso.

A relação entre a radiação  e o desenvolvimento do câncer é bem compreendida: um único  exame de CT de um paciente o expõe a uma quantidade de radiação capaz de induzir ao câncer, de acordo com evidências epidemiológicas já bem  demonstradas.

Os riscos foram demonstrados em dois grandes estudos, um na Inglaterra e outro na Austrália. No estudo inglês, crianças expostas a múltiplos exames de CT apresentaram aumento de  3 vezes na probabilidade de desenvolverem leucemia e tumores do cérebro.

Em 2011, um relatório patrocinado pela Susan G. Komen, o Instituto de Medicina concluiu que a radiação de exames médicos de imagem e a hormonioterapia de reposição da menopausadas, cujo uso declinou substancialmente na ultima década, são as principais causas ambientais que acarretam o câncer de mama e recomendaram que as mulheres reduzissem sua exposição aos exames de CT desnecessários.

Os exames de CT, antigamente raros, agora são rotina. Um em cada 10 americanos se submetem a um exame de CT ao ano e muitos deles fazem mais do que um exame. O crescimento é decorrente de múltiplos fatores, incluindo o desejo de diagnóstico precoce,  submeter-se a qualidade de exame de alta tecnologia, propaganda boca-a-boca direta e interesses financeiros dos médicos e centros de diagnósticos médicos. Os equipamentos de CT custam milhões de dólares; tendo realizado o investimento, os proprietários incentivarão fortemente o seu uso.

Embora seja difícil estabelecer quantos cânceres surgirão em decorrência do uso da imagem radiológica médica, um estudo de 2009 de Instituto nacional do Câncer dos EUA estimou que os exames de CT realizados em 2007 causarão uma projeção de 29,000 mais casos de câncer e  14,5000 mais mortes durante a vida daqueles que foram expostos.

Considerando os múltiplos exames de CT realizados ao longo dos, uma estimativa razoável do excesso de Cânceres durante o tempo de vida estaria nas centenas de milhares. De acordo com nossos cálculos, a menos que mudemos as nossas práticas atuais de 3 por cento a 5 por cento de todos os cânceres futuros podem resultar da exposição a imagens médicas.

Sabemos que esses testes são usados ​​em excesso. Mas, mesmo quando adequadamente utilizados, eles não são sempre feito da maneira mais segura possível. A regra é que as doses utilizadas para se obter as imagens médicas devem ser tão baixas quanto razoavelmente possível. Mas não existem diretrizes específicas para determinar as dosagens corretas e há uma variação substancial Malthus dentro e entre as instituições. A dose de um hospital pode ser até 50 vezes mais forte do que a de outra instituição.

Um estudo recente em um hospital de Nova York descobriu que quase um terço do que os seus pacientes submetidos a vários exames de imagem cardíaca estavam recebendo uma dose efetiva acumulada de mais de 100 millisieverts de radiação – o equivalente a 5.000 radiografias de tórax. E no ano passado, uma pesquisa de cardiologistas nucleares constatou que apenas 7% dos testes de estresse foram realizados utilizando um protocolo de “estresse em primeiro lugar” (análise das imagens do coração após o exercício, antes de decidir se era necessário tomar uma  outra sequencia de imagem em repouso), o que pode diminuir a exposição à radiação em até 75%.

Nos últimos anos, a profissão médica tem feito alguns progressos sobre estas questões. O Colégio Americano de Radiologia e do Colégio Americano de Cardiologia emitiram “critérios de adequação” para ajudar os médicos a considerar os riscos e benefícios antes de pedir um teste. E o setor de seguros começou a usar os gestores para analisar os  benefícios dos exames radiológicos, cuja função é investigar se um exame de imagem é realmente necessário antes de autorizar o pagamento para ele. Alguns estudos têm demonstrado que o uso de imagens radiológicas médicas começou a diminuir.

Rita F. Redberg is a cardiologist at the University of California, San Francisco Medical Center, where Rebecca Smith-Bindman is a radiologist.

Versão original em inglês

WE ARE GIVING OURSELVES CANCER

By RITA F. REDBERG and REBECCA SMITH-BINDMANJAN. 30, 2014

DESPITE great strides in prevention and treatment, cancer rates remain stubbornly high and may soon surpass heart disease as the leading cause of death in the United States. Increasingly, we and many other experts believe that an important culprit may be our own medical practices: We are silently irradiating ourselves to death.

The use of medical imaging with high-dose radiation — CT scans in particular — has soared in the last 20 years. Our resulting exposure to medical radiation has increased more than sixfold between the 1980s and 2006, according to the National Council on Radiation Protection & Measurements. The radiation doses of CT scans (a series of X-ray images from multiple angles) are 100 to 1,000 times higher than conventional X-rays.

Of course, early diagnosis thanks to medical imaging can be lifesaving. But there is distressingly little evidence of better health outcomes associated with the current high rate of scans. There is, however, evidence of its harms.

The relationship between radiation and the development of cancer is well understood: A single CT scan exposes a patient to the amount of radiation that epidemiologic evidence shows can be cancer-causing. The risks have been demonstrated directly in two large clinical studies in Britain and Australia. In the British study, children exposed to multiple CT scans were found to be three times more likely to develop leukemia and brain cancer. In a 2011 report sponsored by Susan G. Komen, the Institute of Medicine concluded that radiation from medical imaging, and hormone therapy, the use of which has substantially declined in the last decade, were the leading environmental causes of breast cancer, and advised that women reduce their exposure to unnecessary CT scans.

CTs, once rare, are now routine. One in 10 Americans undergo a CT scan every year, and many of them get more than one. This growth is a result of multiple factors, including a desire for early diagnoses, higher quality imaging technology, direct-to-consumer advertising and the financial interests of doctors and imaging centers. CT scanners cost millions of dollars; having made that investment, purchasers are strongly incentivized to use them.

While it is difficult to know how many cancers will result from medical imaging, a 2009 study from the National Cancer Institute estimates that CT scans conducted in 2007 will cause a projected 29,000 excess cancer cases and 14,500 excess deaths over the lifetime of those exposed. Given the many scans performed over the last several years, a reasonable estimate of excess lifetime cancers would be in the hundreds of thousands. According to our calculations, unless we change our current practices, 3 percent to 5 percent of all future cancers may result from exposure to medical imaging.

We know that these tests are overused. But even when they are appropriately used, they are not always done in the safest ways possible. The rule is that doses for medical imaging should be as low as reasonably achievable. But there are no specific guidelines for what these doses are, and thus there is considerable variation within and between institutions. The dose at one hospital can be as much as 50 times stronger than at another.

A recent study at one New York hospital found that nearly a third of its patients undergoing multiple cardiac imaging tests were getting a cumulative effective dose of more than 100 millisieverts of radiation — equivalent to 5,000 chest X-rays. And last year, a survey of nuclear cardiologists found that only 7 percent of stress tests were done using a “stress first” protocol (examining an image of the heart after exercise before deciding whether it was necessary to take one of it at rest), which can decrease radiation exposure by up to 75 percent.

In recent years, the medical profession has made some progress on these issues. The American College of Radiology and the American College of Cardiology have issued “appropriateness criteria” to help doctors consider the risks and benefits before ordering a test. And the insurance industry has started using radiology benefit managers, who investigate whether an imaging test is necessary before authorizing payment for it. Some studies have shown that the use of medical imaging has begun to slow.

Rita F. Redberg is a cardiologist at the University of California, San Francisco Medical Center, where Rebecca Smith-Bindman is a radiologist.

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