É CORRETO O MÉDICO NÃO ACEITAR DECISÃO DA MULHER DE NÃO FAZER A MAMOGRAFIA?

E ainda intimidá-la e ignorar sua decisão?

E nem ouvir os argumentos que a mulher apresenta e que embasaram sua posição?

Quem manda no corpo da mulher: ela ou o médico?

Acabo de receber um email em meu Portal de uma senhora que me conheceu através do Congresso no Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília em novembro de 2015, no qual abordei a Ineficácia e Malefícios da mamografia para 6500 pessoas.

Nesse email ela me disse que ouvir o que tínhamos a dizer sobre a mamografia  “Foi um prazer e um susto!!! Eheheh! Pois, as informações que passastes são uma barbaridade quanto à mamografia. Falei para minha mastologista que não faria mais a mamografia e passei para ela tua entrevista… mas, quando fui na consulta anual, há uns meses, ele não deu a menor!”  E continua pedindo orientações sobre seu caso, pois “não sei mais o que fazer… Um grande bj no teu coração… e obrigada pela tua postura, na tua profissão !!! Ah… se todos fossem assim !”

Respondi dizendo que ela tinha toda a razão de estar desnorteada diante do posicionamento inflexível dos médicos brasileiros em relação à mamografia. Não abrem mão dela, mesmo que não haja qualquer embasamento científico atualmente para recomendá-la como método de rastreio do câncer de mama.

Eu vivencio diariamente essa realidade irracional e luto muito para que leiam, aprendam e mudem sua conduta, para que ela seja baseada nas evidências científicas referendadas pela Cochrane e não em trabalhos inidôneos que foram feitos com o objetivo de explorar financeiramente os rastreio do câncer de mama, utilizando-se para isso do medo que as mulheres têm dessa moléstia!

Ela me pediu para avaliar seu exame de ultrassonografia e expliquei que um dos problemas que eu encontro ao analisar a US de mama de outro colega é a escassez de fotos que normalmente acompanham esses exames e o protocolo deficiente. Em um vídeo que gravei e que está no youtube eu explico melhor sobre as diferenças de exame de US, com diferentes níveis de protocolo, para que entendam a problemática:.

Objetivamos mobilizar o máximo de mulheres possível na nossa  para extinguir o exame da mamografia por ser ineficaz e prejudicial para as mulheres.

A mamografia fez duas promessas:

(1)   detecção precoce câncer de mama e redução da mortalidade;

(2)   reduzir as mastectomias, pois o câncer seria diagnosticado mais precocemente e permitiria uma cirurgia conservadora.

A realidade foi bem outra:

(1)   a mamografia foi incapaz de reduzir a mortalidade pelo câncer de mama, após décadas de estar sendo aplicada em 90% da população feminina entre 50 e 79 anos (Suécia e Suíça)

(2)   E ainda causou muitos malefícios, tais como: aumento de mais de 4 vezes das quadrantectomias e mastectomias desnecessárias devido ao carcinoma in situ diagnosticado em profusão nos rastreios mamográficos (falso-positivos) e metade dessas pacientes passaram por radio e quimioterapia sem terem o câncer, o que prejudicou-as muito do ponto de vista físico (duplica o risco de terem câncer de pulmão ou morrerem de ataque cardíaco) e emocional e psíquico, pois as mulheres diagnosticadas com câncer de mama deprimem-se com frequência e podem chegar ao suicídio, cuja taxa aumenta 14 vezes  no primeiro ano do diagnóstico 7 vezes no segundo e terceiro ano após o diagnóstico do câncer que tinham ou não tinham (um de cada três cânceres de mama detectados pela mamografia não é verdadeiro). Imagina o suicídio ocorrer pelo câncer inexistente!

A principal causa de falso-positivo, do câncer inexistente, é o carcinoma in situ de mama, que é apenas fator de risco para o câncer de mama, diferentemente do que se achava no passado, que fosse precursor, quando justificaria a cirurgia preventiva. Mas ao ser apenas um fator de risco, estimado em cerca de 18%, não se justifica a mastectomia, pois caso contrário teríamos que realizar a  mastectomia em metade da população, que são aquelas que tem mamas densas e nas quais o risco é de 4 a 6 vezes maior de terem câncer de mama ao longo de suas vidas. E ninguém indica mastectomia para a mulher só por que tem a mama densa.

Sabiam que  a cura  espontânea do câncer de mama existe?

Temos fatores poderosos em nosso sistema imunitário que bloqueiam o câncer e para fazermos a indicação correta teríamos que conhecer em maior profundidade as características genéticas de cada mulher, o que significaria realizar o mapeamento genético e conhecer o significado de cada gene que aumenta ou diminui o risco de câncer (qual deles predomina em cada mulher?).

A mamografia não é eficaz para rastreio do câncer de mama

O assunto de câncer de mama é complexo e para um assunto dessa complexidade não poderíamos ter uma resposta tão simples como A SOLUÇÂO proposta para as mulheres pelos radiologistas, mastologistas e demais entidades que prestigiam o outubro rosa, que é o rastreio anual do câncer pela mamografia. Teoricamente a mamografia as livraria do risco de morrerem do câncer de mama, mas essa é uma mentira descarada e com sérias consequências para as mulheres, quando se julgam protegidas e não estão, pois a mamografia não detecta até metade dos cânceres de mama que estão presentes na época do rastreio, gerando a falsa tranquilidade.

O câncer que não é detectado a tempo o tratamento é postergando e essas mulheres. Isso significa que essas mulheres nas quais o diagnóstico é tardio já têm sementes do câncer presentes em outros locais além das mamas (metástases) quando fazem sua cirurgia e a taxa de mortalidade é bem elevada.

É por esse e outros motivos que a mamografia nunca conseguiu reduzir a incidência dos cânceres de mama avançados, o famoso câncer de intervalo, que surge entre um exame e outro, justamente devido sua incapacidade de penetrar e diagnosticar o câncer presente nas mamas densas (as de maior risco de câncer de mama) e, dependendo do grau de hiperdensidade, o câncer de mama não diagnosticado atinge a horripilante cifra de 81% dos casos.

Além da mama densa, uma das principais causas da mamografia não reduzir a mortalidade é sua incapacidade de detectar o câncer de mama das mulheres jovens, que cresce rápido, duplicando de tamanho a cada 2 meses, diferentemente da idosa, no qual duplica a cada 5 anos e qualquer método o detecta a tempo. O Câncer da jovem é o mais agressivo, o que dificulta sua erradicação e quase nenhum deles é detectado pela mamografia.

A idade no momento diagnóstico do câncer de mama das jovens é a variável mais importante na chance sobrevida e quanto mais jovem ocorrer o câncer menor é a chance de sobreviver ao câncer.

E ainda a mamografia irradia a mama, aumentando o risco do câncer radiogênico.

Embora esses fatos sejam bem conhecidos da ciência séria e sem conflitos de interesses, cujo máximo representante é a Cochrane, temos observado que interesses econômicos têm impedido que essa informação cheguem às mulheres brasileiras, fazendo com que continuem sendo mutiladas desnecessariamente. Dessa forma contra balanceamos as inúmeras propagandas enganosas do outubro rosa e continuamos nesse trabalho de formiguinha, com o auxílio de todo o formigueiro das mulheres que nos tem apoiado e sentimos que com sucesso progressivo!

Repensando o rastreio mamográfico do câncer de mama

Fizemos um quadro resumindo o que falamos anteriormente e que implica em repensar a mamografia:

˜  Se a mamografia não detecta câncer de mamas nas jovens de alto risco

˜  Se a mamografia não detecta metade dos cânceres presentes na mama quando rastreada

˜  Se a mamografia não reduz o câncer de intervalo e  avançado

˜  Se a mamografia não reduz a mortalidade por câncer mama

˜  Se a mamografia é cancerígena e dolorosa

˜  Se a mamografia aumenta os exames, biópsias e cirurgias desnecessárias

˜  Se a mamografia aumenta 36% as mastectomias por câncer invasivo

˜  Se a mamografia aumenta 422% mastectomias por câncer in situ (não é câncer, nem precursor do câncer de mama, mas um dos  fatores de risco)

˜  Se 1 de cada 3 cânceres detectados pela mamografia não existe e é falso-positivo

˜  Se metade das mulheres sem câncer de mama e diagnosticadas erroneamente pela mamografia como portadoras desse câncer são submetidas a radioterapias e quimioterapias desnecessárias

˜  Se o diagnóstico excessivo e o tratamento exagerado reduzem a expectativa de vida dessas mulheres

˜  Então não podemos continuar com a mamografia!!!

Como devemos proceder?

Em primeiro lugar devemos abolir a mamografia do receituário médico, por sua ineficácia e malefícios.

Em seguida focar em outro método de rastreio que possa substituí-la.

Que método poderia substituí-la?  O fato de tanto esforço ter sido direcionado à mamografia fez com que estejamos agora atrasados nessa busca.

Eu recomendo o exame tríplice da mama em meu laboratório: a Ultrassonografia associada ao Doppler e à Elastografia, mas não é consensual.

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Figura 1. Mostra nódulo redondo, bem delimitado, hipoecogênico, com reforço e sem calcificações com padrão  US benigno ou BIRADS 3.

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Figura 2 – Doppler de mama: a imagem mostra que o nódulo da figura prévia era hipovascularizado, com raros vasos apenas na periferia da lesão e  sua classificação continuou Birads 3  

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Figura 3. Elastograma da mama: mostra que o nódulo da figura prévia era duro, menor na US do que na elastograma (imagem negra delineada com traço amarelo no elastograma ultrapassa o tamanho do nódulo na US de módulo B à esquerda)  e sua classificação passou a ser BIRADS V.

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Figura 4. A velocidade de propagação das ondas de cisalhamento intra nódulo da mama foi de 4.37m/s, confirmando que é hiperduro e a classificação BIRADS V. Correspondia a recidiva local de câncer de mama.

A nossa indicação do exame tríplice de mama está baseada no conhecimento médico consensual de que aumentaremos nossa acuidade diagnóstica e reduziremos os nossos  erros se usarmos mais de um método para avaliarmos um órgão ou uma doença. O caso de recidiva do câncer de mama mostrado nas figuras 1, 2, 3 e 4 havia sido considerado benigno pelo US e Doppler (BIRADS III)  e  o diagnóstico da malignidade só foi possível graças a elastografia (BIRADS V).

É esse princípio no qual nos baseamos ao propormos o exame tríplice das mamas: quanto mais recursos, menor o risco de falso-negativo. Mas este exame requer equipamento específico e treinamento do médico ultrassonografista para manuseá-lo e interpretá-lo a contento. Mesmo assim o exame tríplice das mamas ainda requer a realização de série controlada e randomizada multicêntrica para referendá-lo.

Podemos mudar esse quadro absurdo de utilizarmos um método comprovadamente falho e perigoso como a mamografia para rastrear o câncer de mama?

 Sim. Essa é a posição certa, correta, justa e necessária, sendo fundamental esclarecermos às mulheres. É profundamente cruel mantê-las na ignorância desses fatos. E alguém tem que fazer isso! Eu aceitei esta responsabilidade que ninguém me impôs, por livre e espontânea vontade. Tenho a liberdade de não dever nada para laboratórios, clínicas, hospital ou faculdades de medicina, onde há um consenso (não propriamente científico, mas econômico, na grande maioria das vezes), que impõe o silêncio aos médicos que querem e poderiam se manifestar. Não é meu caso. Sou livre e só presto contas à minha consciência.

Convido a todos que queiram se juntar nessa luta a assinarem nossa petição eletrônica visando abolir a mamografia:   

http://bit.ly/1PxvaHs

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