MAMOGRAFIA REMA CONTRA AS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

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Acabo de receber um email comentando a minha última postagem no NEWS LETTER do PORTAL LUCY KERR e dizendo que, em relação “a pedir ou não pedir mamografia, um aspecto importante e que deve ser discutido é o seguinte: todas as pacientes sabem que existe a mamografia e lutam por ela. Mesmo o profissional sabendo da ineficácia do método, se a paciente for diagnosticada com câncer e o médico não pediu a mamografia, ele será, com certeza, processado.”

E, até que o médico “explique a falta de necessidade do método, muita coisa negativa para ele já rolou. Um colega disse-me que, se não for proibido, ele vai continuar pedindo apenas para não ter problemas.”

E pergunta: “O que a senhora acha disso? Estou perguntando por que eu ainda não vi nada que fale sobre esse ponto de vista.”  Respondi ao questionamento do médico e creio que minha resposta deve ser pública para que outros colegas que vivam este dilema saibam o que eu penso a respeito, que minhas posições estão fundamentadas na medicina baseada em evidências e que dou toda a argumentação para que eles lutem a favor das mulheres, em prol da saúde delas. Aqui vai minha resposta:

Prezado colega, o que me diz é basicamente isto: “se todo mundo está errado eu tenho que fazer errado também para não ser diferente dos demais.” Em primeiro lugar, a verdade não precisa da aprovação de ninguém. Ela é por si. Foi por isso que a terra continuou sendo redonda e girando ao redor do sol, mesmo quando toda a comunidade científica respeitável daquela época afirmava por A+B que ela era quadrada, que suas margens terminavam em um grande vazio e que o sol, lua, estrelas e todo o universo giravam ao seu redor.

Em segundo lugar a Cochrane é entidade que valida a qualidade dos estudos científicos em medicina nas áreas de diagnóstico, prevenção e tratamento, respeitada por toda a comunidade científica internacional por sua consistência, isenção e respeito às regras aceitas e adotadas pelos melhores periódicos científicos. E ela condenou a mamografia ao constatar as falhas metodológicas graves nos trabalhos que advogavam o método para rastreio do câncer de mama, o mais célebre e falho deles o Swedish Two-County Trial. E a Cochrane também analisou os resultados nos países que aplicaram o rastreio mamográfico e que foram decepcionantes: não reduziu a mortalidade pelo câncer de mama e houve aumento de até 4.4 vezes nas mastectomias desnecessárias, justamente a realidade é o oposto do que havia sido prometido para as mulheres. Basta que leia as referências que enviei junto com o meu comentário do parecer do CBR sobre a mamografia para comprovar o que afirmei. E as referências publicadas pela entidade são tendenciosas, de radiologistas para radiologistas, bem boazinhas. E o CBR padece de credibilidade ao defender a mamografia por haver grandes e graves conflitos de interesses envolvidos entre os responsáveis pelos estudos que acham a mamografia necessária.

Se essas referências idôneas e sem conflitos de interesses que enviei não bastarem para preservar o médico brasileiro, então significa que aqui seguimos uma metodologia única, própria e desvinculada da universalmente aceita.

Bem tupiniquim!

Quero crer que meu país não seja tão tacanho.

Nem que os médicos brasileiros se apequenem quando a saúde da mulher está em jogo!

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