CAMPANHA PARA ABOLIR A MAMOGRAFIA GANHA FORÇA

Fui ao Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa do HSL respondendo ao convite do Dr.Alfredo Salim Helito, um dos organizadores, para participar do II Encontro Sobre Análise Crítica da Prática Clínica, que foi realizado no dia 15 de setembro de 2015. Dr. Salim fez questão da nossa presença e o propósito era eu apresentar alguma intervenção sobre nossa Campanha contrária a Mamografia quando a discussão fosse aberta ao final da exposição. O que fizemos com sucesso, pois  uma repórter da CBN- Central Brasileira de Notícias que estava lá me entrevistou ao final. Foi proveitoso para nossa campanha e ontem encaminhei uma porção de material sobre o assunto que me solicitou e espero que ela o utilize para beneficiar as mulheres. Vamos ver o que acontecerá.

Também um grupo de senhoras muito distintas veio conversar comigo ao final. Elas estavam preocupadíssimas com o assunto em caráter pessoal e coletivo. E eu solicitei que se possível divulgassem a nossa campanha para outras mulheres, pois vi que eram pessoas bondosas e  caridosas querem fazer o bem. Não sei o que se passará, mas nosso objetivo é divulgar muito e aguardar a iniciativa de cada uma!!!

A aula do médico italiano Dr. Marco Bobbio versou sobre excessos de diagnósticos e erros em exames preventivos realizados de rotina, bem a propósito sobre o assunto da mamografia.

Aproveitei o gancho dado de mão beijada para mim pelo Dr. Atallah, diretor da Cochrane no Brasil, que falou imediatamente antes de mim sobre a ineficácia o rastreio do câncer de próstata pelo PSA e eu inicialmente apresentei uma breve exposição sobre a incapacidade da mamografia reduzir a mortalidade por Câncer de mama e como esse exame estava causando mutilações desnecessárias para as mulheres devido os diagnósticos excessivos e  tratamentos exagerados em rastreamentos de rotina. E coloquei outros pontos importantes sobre o carcinoma in situ, que não é câncer e vem sendo tratado como se fosse e as mulheres passando por mastectomias, radioterapia,  quimioterapia e hormonioterapias desnecessariamente. E há ainda os graves problemas psicológicos das mulheres falsamente  rotuladas como portadoras de câncer, que viverão o resto das suas vidas com medo do câncer que não têm,  aumentando o stress e os desequilíbrios emocionais. As taxas de suicídios aumentam em 16 vezes no  1º ano após o diagnóstico,  7 vezes no 2º e  3º ano  e  40% na média ao longo do restante da vida. A probabilidade de malefício é 10 vezes maior do que os benefícios (Quadro 1).

Após minha intervenção Dr. Bobbio concordou, aprovou minha intervenção e ainda colocou dados adicionais bem a propósito da  Europa, o que deu muita força aos nossos argumentos, uma vez que aqui no Brasil há uma profunda ignorância sobre o lado B da mamografia.

Mais tarde, quando as discussões abordaram quanto desses exames estão sendo movidos por interesses econômicos pude colocar os números do rastreio mamográfico nos EUA (3 a 4 bilhões de dólares) e no Brasil – SUS, dados do Ministério da Saúde (187 milhões de reais em 10 meses de 2014) e coloquei ao final a frase que nos norteia neste momento: Falta dinheiro para a saúde e criamos mais doenças com a mamografia.  E também mencionei que desde 2002 INH – Instituto Nacional da Saúde e o INC – Instituto nacional do Câncer dos EUA sabe da ineficácia mamografia, quando um Painel independente de especialistas neutros que incluía médicos, cientistas, estatísticos, epidemiologistas e cancerologistas foi  convocado pelo INH para analisar a matéria e concluiu  que não havia suficiente evidência que a mamografia reduzia a  mortalidade pelo câncer de mama. Logo após emitirem um parecer consensual esses cientistas foram bombardeados pelo Lobby político da mamografia do Congresso EUA, que ameaçou corte de verbas INH – INC. O  diretor do INH da época foi obrigado a contemporizar para não sofrer cortes no orçamento. O Dr. Donald Berry, um dos especialistas do painel, disse estar consciente da ineficácia da mamografia, mas também estava consciente da enorme dificuldade de questionar a indústria de mamografia: “programas de screening trazem pacientes” …e dinheiro, subentende-se (Charatan F. US panel finds insufficient evidence  to  support mammography. BMJ. 2002; 324 (7332):255).

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  • Figura 1 Propaganda enganosa da mamografia na mídia dos EUA, veiculada pela Associação Americana de Câncer. Se você ainda não fez uma mamografia, você precisa examinar mais do que suas mamas” . A finalidade é aterrorizar, dá a  entender que a mulher já tem o câncer disseminado se não faz a mamografia anual.

Estas são as Informações verdadeiras que deveriam constar nas campanhas rastreio mamográfico durante o outubro rosa rebatizado em nossa campanha de outubro negro (quadro 1):

Quadro 1. Benefícios versus  malefícios da mamografia calculados pela Cochrane pressupondo redução máxima de  15% na mortalidade do câncer de mama pelo rastreio mamográfico e diagnóstico excessivo de 30%. De acordo com esta pressuposição (melhor do que a realidade), se 2000 mulheres forem rastreadas anualmente por 10 anos consecutivos:

  • 1 mulher evitará morrer de câncer de mama
  • 10 mulheres saudáveis, que jamais seriam diagnosticadas sem o rastreio, terão câncer de mama diagnosticado e serão tratadas sem necessidade
  • 4 terão a mama removida (mastectomia)
  • 6 receberão cirurgia conservadora
  • A maioria receberá Radioterapia e quimioterapia (desnecessariamente)

Eu defendo substituir a mamografia por exames inócuos, para não criarmos o câncer enquanto rastreamos o CÂNCER.

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